Tribunal de São Paulo aprova processamento da recuperação judicial do Grupo Toky

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) deferiu o pedido de processamento da recuperação judicial do Grupo Toky (TOKY3). O anúncio oficial foi realizado pela própria companhia por meio de um comunicado enviado ao mercado financeiro e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no fim da noite de domingo.

Ao formalizar o pedido à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, o grupo reportou uma dívida total de R$ 1,1 bilhão. Embora o grupo já estivesse tentando costurar uma reestruturação extrajudicial há meses, a situação saiu do controle após um episódio recente. A instituição financeira SRM realizou um bloqueio de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito da companhia. Segundo o Grupo Toky, essa retenção asfixiou o fluxo de caixa operacional imediato, colocando em risco o pagamento de salários de funcionários, fornecedores e os custos logísticos do dia a dia.

A decisão judicial marca o início de uma nova fase para a empresa, que agora busca reestruturar seus passivos financeiros sob a tutela da Justiça. O deferimento é o primeiro passo formal no rito de proteção contra a falência, permitindo que as operações continuem enquanto as dívidas são renegociadas.

Como parte das exigências legais para o andamento do processo, o tribunal determinou regras rígidas de transparência. O Grupo Toky terá a obrigação de apresentar relatórios detalhados de suas contas mensalmente, com prazo fixado até o dia 30 de cada mês.

O descumprimento dessa obrigação fiscalizatória acarretará sanções severas para o comando da companhia. Caso as contas não sejam entregues no prazo estipulado, a Justiça prevê a destituição imediata dos atuais controladores e administradores do grupo varejista.

Além das obrigações, a decisão assegurou um fôlego financeiro crucial para as operações da empresa. O TJ-SP determinou a suspensão, pelo período de 180 dias, de todas as ações e execuções movidas por credores contra o Grupo Toky.

Esse mecanismo, conhecido no jargão jurídico como stay period, visa congelar as cobranças para que a empresa foque no plano de reestruturação. Ficam de fora dessa suspensão apenas os processos que envolvam créditos que, por lei, não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.

O Grupo Toky é fruto de uma fusão recente, concluída em 2024. Ele uniu a Mobly (varejista nativa digital fundada em 2011) e a tradicional Tok&Stok (criada em 1978 e conhecida por suas grandes lojas físicas). A união buscava justamente criar sinergia para superar as dificuldades individuais de mercado, mas a integração não foi rápida o suficiente para estancar a queima de caixa.

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