Vale projeta produção recorde de minério de ferro em sete anos para 2025

A mineradora brasileira Vale deu um passo decisivo em sua estratégia de recuperação ao registrar uma produção de 336,1 milhões de toneladas métricas de minério de ferro em 2025. O resultado, divulgado nesta terça-feira, marca um feito simbólico e operacional: pela primeira vez desde 2018, o volume extraído pela companhia superou a produção das operações da rival Rio Tinto em Pilbara, na Austrália.

Com uma alta de 2,6% em relação ao ano anterior, a Vale consolidou um desempenho que ficou em linha com suas projeções mais otimistas, impulsionado especialmente por um quarto trimestre robusto, onde a produção saltou 6%, atingindo 90,4 milhões de toneladas.

Este crescimento representa um marco na trajetória da empresa para superar as consequências do desastre de Brumadinho, ocorrido em 2019, que resultou na perda da liderança global para a Rio Tinto e em uma rigorosa reestruturação de segurança.

Sob a gestão do CEO Gustavo Pimenta, a Vale tem focado na ampliação da capacidade produtiva em complexos como Brucutu e na aceleração de projetos estratégicos, como Capanema e VGR1. Embora a Rio Tinto ainda mantenha uma leve vantagem no volume total global (contabilizando suas minas no Canadá), a Vale reduziu a distância para apenas 500 mil toneladas, reafirmando sua meta de retomar o título de maior produtora mundial de minério de ferro.

Além do minério de ferro, o relatório de produção da Vale trouxe surpresas positivas em metais básicos, superando as expectativas de analistas do Citi e RBC. A produção de cobre cresceu quase 10% em 2025, totalizando 382,4 mil toneladas — o maior volume em sete anos e acima da meta estipulada pela própria empresa. O destaque foi o complexo de Salobo, que atingiu recordes de extração no último trimestre.

No segmento de níquel, a companhia também superou as projeções ao produzir 177,2 mil toneladas, registrando o melhor desempenho desde 2022 e sinalizando uma operação mais eficiente e diversificada.

As perspectivas para 2026 seguem otimistas, com a Vale projetando uma produção entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro. No entanto, o cenário competitivo deve se acirrar, já que a Rio Tinto prepara o início de novas operações na Guiné para tentar manter sua hegemonia. Para os investidores, os dados operacionais sugerem um balanço financeiro sólido a ser divulgado em fevereiro, com analistas antecipando revisões para cima no lucro operacional (EBITDA) da companhia, refletindo a combinação de maior volume de vendas e eficiência na entrega de metas em todas as frentes de atuação.

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