A violência contra a mulher no Brasil passou a ser considerada o crime mais grave do país pela primeira vez, segundo pesquisa Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360. O levantamento mostrou que 61% dos brasileiros colocam a violência de gênero acima de crimes como tráfico de drogas e assaltos à mão armada.
Entre as mulheres, o índice chega a 73%. Já entre jovens de 16 a 24 anos, o percentual sobe para 77%.
A pesquisa foi realizada em abril com 2.004 pessoas de diferentes regiões do país.
Feminicídios seguem em alta no país
O levantamento ocorre em meio ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil.
Segundo dados citados pela pesquisa, o país registrou crescimento de 7,5% nos feminicídios no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Brasil também encerrou 2025 com recorde histórico de assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero.
Especialistas apontam que o avanço dos números ampliou a percepção da população sobre a gravidade do problema.
Violência psicológica ainda é pouco reconhecida
Apesar do aumento da conscientização, a pesquisa mostrou que parte da população ainda não reconhece comportamentos abusivos como violência.
Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados afirmaram que impedir uma mulher de sair de casa “não é violência” ou “depende da relação”.
O controle financeiro e a limitação de amizades também deixaram de ser reconhecidos como abuso por parte significativa dos entrevistados.
Especialistas avaliam que a falta de reconhecimento da violência psicológica dificulta denúncias e ações preventivas.
Congresso e governo ampliam medidas de combate
Nos últimos meses, o Congresso Nacional aprovou novas medidas relacionadas ao combate à violência contra a mulher.
Entre elas está a criação do crime de vicaricídio, quando o agressor mata filhos ou pessoas próximas para atingir emocionalmente uma mulher. A pena pode chegar a 40 anos de prisão.
O governo federal também sancionou a criação do Cadastro Nacional de Condenados por Violência Contra a Mulher.
Além disso, projetos em tramitação discutem endurecimento de penas e mudanças nas regras de investigação de violência doméstica.
Empresas ampliam participação no debate
O Movimento Mulher 360 afirmou que empresas também possuem papel importante no enfrentamento da violência de gênero.
Segundo representantes da entidade, o ambiente corporativo pode funcionar como espaço de acolhimento, conscientização e apoio às vítimas.
Especialistas apontam que autonomia financeira e acesso à informação estão entre os principais fatores para romper ciclos de violência.
Debate cresce nas redes sociais
O aumento dos casos também ampliou discussões nas redes sociais e fóruns online.
Publicações sobre feminicídio, endurecimento de penas e políticas públicas passaram a gerar forte repercussão entre usuários brasileiros.
Analistas avaliam que a maior exposição do tema contribuiu para ampliar denúncias e conscientização sobre diferentes formas de violência contra mulheres.









