O mercado de pagamentos internacionais ainda cobra caro de quem precisa mover dinheiro entre países. É justamente nesse espaço que a Wise tenta ganhar mais força nos Estados Unidos, agora com ações negociadas também na Nasdaq.
A fintech iniciou a negociação dos papéis na bolsa americana nesta segunda-feira (11), em um modelo de listagem dupla. A empresa mantém sua presença no Mercado Principal da Bolsa de Londres, onde abriu capital em 2021, mas passa a se aproximar do mercado que considera uma das maiores frentes de crescimento.
Segundo projeções da própria companhia, consumidores e empresas perdem mais de US$ 250 bilhões por ano com tarifas ocultas em transferências internacionais. Só nos Estados Unidos, essa conta chegaria a US$ 43 bilhões em 2026.
EUA viram prioridade na nova fase da Wise
A estreia em Nova York tem peso estratégico para a Wise. Além de ampliar a visibilidade entre investidores, a listagem coloca a fintech mais perto de clientes americanos em um mercado onde bancos e provedores tradicionais ainda dominam parte relevante das transações internacionais.
Kristo Käärmann, cofundador e CEO da Wise, diz que a empresa nasceu para simplificar a movimentação de dinheiro pelo mundo.
“Há quinze anos, começamos com um objetivo simples, mas ambicioso: fazer com que mover e gerenciar dinheiro pelo mundo fosse tão rápido, simples e acessível quanto enviar um e-mail”, afirma Kristo Käärmann, cofundador e CEO da Wise, em nota oficial.
Pela leitura da companhia, o potencial continua grande. O mercado global de pagamentos entre países movimenta cerca de US$ 43 trilhões por ano, de acordo com dados citados pela fintech.
“Acreditamos que nossa listagem nos Estados Unidos nos ajudará a acelerar nossa missão, levando ainda mais da Wise a todos no país, sejam clientes ou acionistas”, pontua.
Fintech processou US$ 243 bilhões no ano fiscal
Junto com a estreia na Nasdaq, a Wise divulgou estimativas preliminares não auditadas para o exercício fiscal encerrado em 31 de março de 2026, convertidas para o padrão contábil US GAAP.
O volume de pagamentos transfronteiriços chegou a US$ 243 bilhões, avanço de 31% na comparação anual. Os saldos de clientes somaram US$ 39 bilhões, alta de 40%. Dentro desse total, US$ 9 bilhões estão alocados em Wise Assets.
Na receita, o crescimento também continuou. As transações geraram US$ 1,9 bilhão, aumento de 22% em um ano. Já a receita líquida alcançou US$ 2,5 bilhões, avanço de 19%.
Esse valor inclui US$ 0,8 bilhão em receitas de juros sobre saldos de clientes e US$ 0,2 bilhão em despesas de juros ligadas a passivos de clientes.
Cartões e contas internacionais ganham peso
O crescimento da Wise não vem apenas das transferências. A receita transfronteiriça somou US$ 1,3 bilhão no último exercício fiscal, alta de 17%, enquanto cartões e outras fontes chegaram a US$ 0,6 bilhão, avanço de 34%.
Os gastos realizados com cartões totalizaram US$ 44 bilhões, crescimento de 37%. Esse dado mostra como a fintech tenta deixar de ser vista apenas como uma plataforma de envio de dinheiro e passa a ocupar mais espaço na rotina financeira de consumidores e empresas.
David Wells, presidente do conselho da Wise, afirma que a listagem americana aproxima a companhia do “mercado de capitais mais profundo e líquido do mundo”.
“Já atendemos milhões de consumidores e empresas americanas por meio da Wise Account, Wise Business e Wise Platform, mas sabemos que ainda há dezenas de milhões de pessoas e negócios que precisam de uma alternativa às altas tarifas, às transferências lentas e aos custos de câmbio pouco claros oferecidos pelos provedores tradicionais”, diz.
Infraestrutura global sustenta a disputa com bancos
Fundada em 2011, a Wise opera uma infraestrutura global de pagamentos com mais de 80 licenças regulatórias. A empresa também tem conexão direta com sistemas domésticos de pagamento em oito mercados e permite transações em mais de 40 moedas.
A companhia afirma que 75% das transferências são concluídas instantaneamente, em menos de 20 segundos. Além disso, 96% chegam ao destino em até 24 horas.
No custo, a Wise diz operar com tarifa média de 0,52%, abaixo da média global do setor, estimada entre 3% e 5%. Essa diferença é parte central da narrativa da fintech contra bancos e provedores tradicionais.
