A XP Investimentos divulgou suas projeções para a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) no setor de utilidade pública (utilities). O relatório aponta um cenário heterogêneo, onde a seletividade baseada em fundamentos operacionais e controle de custos será determinante para o desempenho das ações.
No segmento de distribuição, a Energisa (ENGI11) surge como o principal destaque positivo, impulsionada por volumes saudáveis e eficiência na gestão de despesas. A corretora, inclusive, atualizou o preço-alvo da companhia para R$ 84,90 ao fim de 2026, mantendo sua recomendação inalterada.
Para as demais distribuidoras, como a Equatorial (EQTL3), a expectativa também é de resultados robustos, embora o setor como um todo enfrente desafios sazonais. O clima mais ameno em certas regiões e bases de comparação elevadas em relação ao ano anterior podem limitar o crescimento de grupos integrados.
Já no saneamento, a Sabesp (SBSP3) deve manter a trajetória de solidez, enquanto a Sanepar (SAPR11) enfrenta um horizonte mais turvo, com volumes fracos e pressão no EBITDA devido ao aumento real das despesas operacionais (Opex).
O segmento de geração de energia, por outro lado, deve apresentar os números mais desafiadores do trimestre. De acordo com a XP, o elevado curtailment (corte forçado de geração) tem prejudicado significativamente as empresas de energia renovável, efeito agravado pelos altos custos de modulação.
As hidrelétricas também sofrem com o Fator de Ajuste da Geração (GSF) em níveis baixos e preços spot elevados. Contudo, a Axia (AXIA3) aparece como uma potencial surpresa positiva no setor, graças a uma gestão de portfólio eficiente. Em contrapartida, a Alupar (ALUP11) deve reportar dados mais fracos, reflexo de sua alta exposição ao curtailment.
Por fim, os setores de transmissão e gestão de resíduos apresentam dinâmicas distintas:
- Transmissão: Empresas como Taesa (TAEE11) e Isa Energia (ISAE3) devem entregar resultados estáveis e sem grandes surpresas operacionais.
- Gestão de Resíduos: A Orizon (ORVR3) tende a manter a performance sólida vista no trimestre anterior, com crescimento consistente nas tarifas de destinação (gate fee) e manutenção das margens operacionais.
