Construtora de 41 anos prepara salto de R$ 140 milhões para R$ 400 milhões e estreia nos EUA

Depois de passar quatro décadas construindo projetos para bancos, indústrias, shopping centers e incorporadoras, a Zait Engenharia prepara uma mudança de escala e de modelo de negócio. A companhia projeta elevar o faturamento de R$ 140 milhões, registrado em 2025, para R$ 400 milhões em 2026.

Ao mesmo tempo, a empresa criou a Zait Global, braço de desenvolvimento imobiliário que iniciará as operações na Flórida, nos Estados Unidos. A nova unidade está captando US$ 5 milhões para comprar terrenos e desenvolver as primeiras residências destinadas ao público americano.

A operação internacional prevê imóveis avaliados entre US$ 1,5 milhão e US$ 3 milhões em bairros consolidados da região central do estado. Nos próximos anos, a companhia trabalha com a perspectiva de alcançar aproximadamente US$ 100 milhões em Valor Geral de Vendas, o VGV.

No Brasil, a Zait mantém cerca de R$ 500 milhões em obras contratadas e pretende elevar essa carteira para R$ 1,5 bilhão até o fim de 2027. Atualmente, são 15 projetos em execução e uma equipe que varia entre 150 e 250 profissionais conforme o estágio dos canteiros.

De agências bancárias a projetos complexos

Fundada em São Paulo, em 1985, a Zait começou construindo agências bancárias. A empresa ampliou gradualmente a atuação para obras corporativas, industriais, comerciais, educacionais, hoteleiras e residenciais.

Mais de 1 milhão de metros quadrados foram construídos ao longo desse período.

A companhia continua sendo remunerada principalmente pela prestação de serviços de engenharia e construção para incorporadoras, investidores, empresas e proprietários. Em determinados projetos, porém, também passou a participar das sociedades criadas para desenvolver os empreendimentos.

Nesses casos, a Zait entra antes do início da obra e contribui com estudos de viabilidade, orçamentos, planejamento, definição de métodos construtivos e integração entre arquitetos, fornecedores e investidores.

“Não somos uma incorporadora. Entramos na incorporação ajudando no desenvolvimento, mas a inteligência da incorporação continua com o parceiro”, afirma Henrique Oliveira, CEO da Zait e filho do fundador.

R$ 500 milhões em obras contratadas

O reposicionamento ganhou força nos últimos três anos, quando a empresa passou a se apresentar como uma plataforma de soluções de engenharia, e não apenas como uma executora de obras.

A principal construção em andamento é um shopping center com aproximadamente 50 mil metros quadrados no Brás, em São Paulo. A carteira também inclui escola, hospital, concessionária e um projeto do Sesc em Paraty, no Rio de Janeiro.

Na área residencial, a empresa executa 16 casas de alto padrão. Entre os projetos estão um edifício de madeira próximo ao Parque Ibirapuera, desenvolvido para a Comporta, e imóveis em condomínios como Fazenda Boa Vista e Brisas de Avaré.

O Brisas de Avaré marcou a entrada da companhia no segmento de altíssimo padrão há cerca de três anos.

Para a Zait, essa classificação está menos ligada a um preço fixo e mais associada à complexidade arquitetônica, ao grau de personalização, aos materiais utilizados e às soluções de engenharia necessárias para concluir cada projeto.

“Gostamos dos projetos complexos, seja pelo volume, por uma solução tecnológica diferente ou pela arquitetura. Quanto mais difícil, mais conseguimos nos destacar”, diz Oliveira.

Segunda geração reposiciona a empresa

Henrique Oliveira iniciou a trajetória profissional como estagiário na construtora fundada pelo pai. Formado em engenharia civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, deixou o negócio familiar e passou oito anos em uma grande empresa do setor.

O executivo retornou à Zait em 2015, depois de trabalhar em diferentes funções ligadas a obras imobiliárias. Mais recentemente, liderou uma revisão da marca, da estrutura interna e dos segmentos atendidos.

A companhia também começou a organizar negócios complementares. Entre eles estão um ateliê de mobiliário, equipamentos e montagem para hotéis e residências de alto padrão e o Hub Multiconstrutivo, que conecta fornecedores de sistemas industrializados.

Outro projeto em desenvolvimento envolve casas com arquitetura assinada e componentes industrializados. A proposta é oferecer prazo de entrega menor e custo previamente definido, mesmo em obras personalizadas.

Apesar das mudanças recentes, o salto previsto para R$ 400 milhões em receita resulta de contratos estudados e negociados ao longo dos últimos dois ou três anos. Os projetos nos Estados Unidos ainda não fazem parte dessa projeção.

Casas de até US$ 3 milhões na Flórida

A ideia de internacionalização surgiu após a empresa desenvolver a pré-engenharia de uma residência nas Bahamas. Embora o imóvel ainda não tenha sido construído, o projeto levou os executivos a avaliar como o conhecimento acumulado poderia ser aplicado em outros países.

A Zait contratou a Terracotta Ventures para ajudar a estruturar a operação americana e optou por comprar terrenos ou imóveis antigos em bairros já estabelecidos da Flórida.

Construções existentes poderão ser demolidas e substituídas por casas modernas voltadas ao segmento premium. A empresa também criou uma ferramenta própria para analisar terrenos, imóveis e oportunidades de desenvolvimento.

“Escolhemos bairros já desenvolvidos e um produto destinado ao público americano. São residências na faixa de US$ 1,5 milhão a US$ 3 milhões”, afirma Daniel Bertolucci, diretor de operações da Zait e sócio da Zait Global.

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