O cenário geopolítico global sofreu uma forte correção de rota neste final de semana, com reflexos imediatos na abertura dos mercados nesta segunda-feira (2). A ofensiva aérea conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, instaurou um clima de aversão ao risco nas principais bolsas de valores, enquanto os preços do petróleo registraram disparadas acentuadas diante da iminência de uma escalada militar na região.
No mercado de commodities, o barril do petróleo tipo Brent chegou a saltar 12% na abertura, estabilizando-se posteriormente com uma alta de 8%, negociado na casa dos US$ 78. Esse movimento impulsionou diretamente os ativos do setor de energia; os ADRs da Petrobras em Nova York subiam 4,27% no pré-market, acompanhando o otimismo em relação às empresas de exploração e produção (E&P).
Analistas da XP Investimentos destacam que, embora a interrupção da produção iraniana seja um fator relevante, o mercado monitora com maior apreensão possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz, ponto vital para o fluxo comercial global.
No Brasil, o Ibovespa enfrenta um início de semana desafiador após encerrar fevereiro com ganhos acumulados de 4,09%. Apesar da tendência positiva observada no mês anterior, o índice fechou a última sexta-feira aos 188.786 pontos, e os sinais vindos do exterior sugerem volatilidade: o EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos EUA, registrava queda de 1,29% antes da abertura oficial.
O desempenho das petroleiras deve atuar como um contrapeso importante para o índice doméstico, uma vez que cada elevação de US$ 10 no preço do barril amplia significativamente o rendimento de fluxo de caixa livre de companhias como Brava, PetroReconcavo, PRIO e a própria Petrobras.
Além da tensão no Oriente Médio, os investidores mantêm o radar voltado para a agenda de indicadores econômicos. Nesta segunda-feira, Estados Unidos e os principais países da Zona do Euro divulgam os dados finais do Índice de Gerente de Compras (PMI) da indústria.
No mercado americano, o foco também recai sobre o ISM da Indústria de fevereiro, com projeção de 52,0 pontos, dado que servirá para medir o fôlego da maior economia do mundo em meio às novas incertezas geopolíticas.









