A Raízen, gigante do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, protocolou nesta terça-feira (10) um pedido de recuperação extrajudicial. A medida visa reestruturar um passivo de R$ 65 bilhões em dívidas concursais e garantir a preservação do caixa da companhia, especialmente no momento em que se aproxima o início da safra de cana-de-açúcar, período que demanda alto volume de capital de giro.
O plano já conta com o apoio de credores que representam mais de 40% do endividamento total. A estrutura da dívida está dividida entre instituições bancárias, que detêm metade do montante, e investidores de mercado (detentores de bonds, CRAs e debêntures), que respondem pela outra metade. Diferente da recuperação judicial comum, a modalidade extrajudicial suspende apenas o pagamento de dívidas financeiras, mantendo os repasses a fornecedores e a operação comercial em curso normal.
O pedido de socorro financeiro ocorre após a empresa reportar números alarmantes. No terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, a Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões — um valor seis vezes superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses da safra, as perdas já somam R$ 19,8 bilhões.
Diante da fragilidade do balanço, a agência Moody’s Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia de Caa1 para Caa3 nesta terça-feira. A agência destacou o endividamento excessivo e a persistente queima de caixa como fatores determinantes para o corte na nota de risco.
Para tentar estabilizar a operação, o plano em análise prevê um aporte de capital de R$ 4 bilhões. A maior parte desse montante, R$ 3,5 bilhões, viria do Grupo Shell, enquanto os outros R$ 500 milhões seriam aportados pela Aguassanta Investimentos, ligada à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan.
Em teleconferência realizada hoje, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, demonstrou otimismo quanto às negociações. Segundo o executivo, as discussões atuais devem levar a uma solução definitiva que satisfaça o mercado e resolva os problemas estruturais da Raízen. A companhia conta com a assessoria jurídica dos escritórios E.Munhoz e Pinheiro Neto, além do suporte financeiro da Rothschild & Co.









