Em um momento em que biodiversidade, capital natural e riscos ambientais passam a influenciar decisões de investimento, acesso a mercados e estratégias corporativas, o financiamento da conservação ganha escala econômica.
Segundo o relatório State of Finance for Nature 2026, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), os investimentos globais em soluções baseadas na natureza precisam crescer 2,5 vezes até 2030, alcançando US$ 571 bilhões por ano. Nesse contexto, o Instituto LIFE, organização brasileira referência em integração da biodiversidade nos negócios, co-organiza, entre os dias 19 e 22 de maio, quatro eventos em Portugal, em Loulé, Lisboa, Porto e Torres Vedras, voltados à agenda de biodiversidade empresarial, instrumentos financeiros para a natureza e o papel do setor agroalimentar na conservação.
A participação acontece em parceria com a consultoria portuguesa NBI – Natural Business Intelligence e reforça a expansão internacional da Metodologia LIFE, levando ao debate europeu a experiência prática brasileira em métricas de biodiversidade, certificação e créditos de natureza, num momento em que novas exigências regulatórias e de reporte pressionam empresas, investidores e cadeias produtivas a demonstrar impactos mensuráveis sobre a natureza.
A Diretora-executiva do Instituto LIFE, Regiane Borsato, estará entre os especialistas convidados nos eventos para discutir como o Brasil, país com uma das maiores biodiversidades do mundo, vem desenvolvendo ferramentas técnicas concretas para transformar conservação em valor econômico mensurável.
“A biodiversidade deixou de ocupar um espaço periférico nas estratégias empresariais. Hoje, ela já influencia competitividade, acesso a financiamento, relações comerciais e reputação. O desafio agora é transformar compromisso em evidência concreta, com métricas, critérios técnicos e instrumentos confiáveis que permitam demonstrar impacto real”, afirma Borsato.
No dia 19 de maio, em Loulé, o Instituto LIFE participa da 11ª Conferência Plenária do Conselho Local de Acompanhamento da Ação Climática do Município de Loulé, realizada no Cineteatro Louletano. O tema do encontro, “O caminho de Loulé para a neutralidade carbônica”, coloca em discussão estratégias concretas de descarbonização no nível municipal, com representantes do poder público, setor privado e sociedade civil.
No dia 20 de maio, em Lisboa, o Instituto LIFE co-organiza conferência com foco nos créditos de biodiversidade como instrumentos financeiros para a natureza, reunindo representantes do setor financeiro, empresas e especialistas para debater oportunidades, riscos e mecanismos de credibilidade de um mercado ainda em formação, incluindo os Créditos LIFE de Biodiversidade e seus potenciais de aplicação empresarial e financeira.
No dia 21 de maio, no Porto, o Instituto LIFE co-organiza debate sobre certificação de biodiversidade como ferramenta de gestão, reporte e competitividade, especialmente para empresas inseridas em cadeias globais de valor e submetidas a exigências crescentes de investidores, clientes e reguladores.
No dia 22 de maio, em Torres Vedras, o Instituto LIFE participa do evento Dia da Biodiversidade, O Setor Agroalimentar na Conservação da Biodiversidade, realizado no Teatro-Cine de Torres Vedras, apresentando o tema Biodiversidade e Créditos de Natureza e seu impacto sobre cadeias produtivas do agronegócio.
O avanço do tema acompanha uma transformação global no financiamento da natureza. O Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado por quase 200 países durante a COP15 da Biodiversidade, consolidou a ampliação do financiamento para conservação como prioridade internacional e impulsionou o debate sobre instrumentos econômicos voltados à proteção dos ecossistemas e à redução dos riscos relacionados à natureza.
A agenda também se intensifica na Europa, onde novas exigências de transparência corporativa vêm ampliando a pressão para que empresas identifiquem, monitorem e reportem dependências e impactos relacionados à biodiversidade. O movimento acompanha a expansão de frameworks internacionais como o TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures), já adotado por mais de 730 organizações em 56 países, incluindo instituições financeiras responsáveis por US$ 22,4 trilhões em ativos sob gestão, sinalizando a crescente integração dos riscos relacionados à natureza às decisões de negócios e investimento.
“Existe uma mudança estrutural em curso. Assim como ocorreu com o carbono, biodiversidade tende a deixar de ser uma pauta voluntária para se tornar parte dos critérios econômicos e de governança dos negócios. O Brasil possui conhecimento técnico, biodiversidade e experiência prática para contribuir com a construção de métricas robustas e mercados com integridade ambiental”, conclui Borsato.
A participação nas conferências reforça o avanço da cooperação entre o Instituto LIFE e a NBI, formalizada anteriormente para apoiar a disseminação da metodologia LIFE na Europa e ampliar o debate sobre certificação e capital natural no ambiente empresarial.









