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Home Startups

Insurtech chilena vira o jogo e vê Brasil superar a matriz em receita

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
27/05/2026
em Startups
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A insurtech chilena Avla encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 8,6 milhões, revertendo o prejuízo registrado no ano anterior. A virada, de cerca de R$ 11 milhões em relação a 2024, teve um protagonista claro: o Brasil.

A operação brasileira, iniciada em dezembro de 2021, já responde por mais de 34% do faturamento global da companhia e superou mercados como Chile, Peru, México e a operação recém-lançada no Texas, nos Estados Unidos.

Fundada em 2014, a Avla atua no segmento B2B com produtos como seguro garantia, seguro de crédito, seguros patrimoniais e riscos de engenharia. Para 2026, a empresa projeta crescimento de 29%, com avanço em linhas de danos, seguro garantia e crédito.

Brasil passou a matriz em quatro anos

O tamanho do mercado brasileiro ajuda a explicar parte do avanço. Segundo Felippe Astrachan, CEO da Avla Brasil, o país é cerca de cinco vezes maior que o Chile, o que tornava natural a operação local ganhar peso dentro do grupo.

O ponto que chama atenção, porém, é a velocidade. Em apenas quatro anos, o Brasil deixou de ser uma nova frente internacional para se tornar o maior mercado da Avla.

“Uma coisa é ultrapassar, outra é com que velocidade e qualidade se consegue fazer isso”, afirma Astrachan.

Segundo o executivo, a expansão veio da combinação entre produtos redesenhados para setores pouco atendidos, jornadas de contratação mais simples, distribuição por corretores e canais parceiros e uma análise de risco criteriosa.

Insurtech mira setores que seguradoras evitam

Um dos caminhos da Avla foi atuar em áreas em que seguradoras tradicionais costumam oferecer pouca cobertura ou exigir processos mais longos. É o caso de segmentos industriais considerados de maior risco, como fábricas de colchão e empresas têxteis.

Nesses casos, a companhia trabalha com inspeções mais detalhadas e medidas de prevenção antes da emissão das apólices. A lógica é aceitar riscos que o mercado muitas vezes evita, mas com controle técnico mais rígido.

Para Astrachan, parte da baixa penetração de seguros no Brasil não vem da falta de demanda, mas da falta de produtos disponíveis.

“Não é necessariamente que as pessoas não querem contratar seguros, é que os produtos não estão disponíveis”, diz.

Seguro empresarial ficou mais simples

A Avla também tentou reduzir a complexidade de produtos tradicionais. No seguro empresarial, por exemplo, o mercado costuma exigir que o cliente navegue por dezenas de coberturas e opções.

A insurtech diz ter simplificado essa jornada para cinco alternativas, com contratação digital. A proposta é tornar o seguro mais compreensível para empresas que precisam proteger operação, patrimônio e atividade diária sem enfrentar um processo excessivamente burocrático.

“A gente transformou esse produto em uma cobertura em que você tem tudo coberto, a não ser o que está excluído”, afirma Astrachan.

Esse redesenho de produto ajudou a companhia a ganhar espaço em diferentes verticais. No varejo, redes como Cacau Show e Burger King passaram a usar soluções da empresa. No agronegócio, a carteira de seguro de crédito avançou com milhares de produtores rurais.

Depois de quase triplicar o time em 2025, a Avla espera um ritmo mais controlado de expansão neste ano. A prioridade será consolidar a operação brasileira, ampliar produtos e avançar em frentes de maior potencial dentro do mercado B2B.

“O mundo de seguros ainda não passou pela mesma transformação que o mundo dos bancos passou. Ainda existe um espaço monstruoso para construção de histórias, de ofertas de produto, de customização, especialmente no mercado B2B”, afirma.

Tags: AvlaBrasilInsurtechInteligência ArtificialMercado b2bSegurosStartups
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Ao longo da carreira, participou da produção de conteúdos voltados à tecnologia, comportamento e inovação, com passagem por veículos como TechTudo e GZH. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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