Os preços do petróleo registraram forte valorização no mercado internacional nesta segunda-feira (8), impulsionados por uma nova escalada militar no Oriente Médio. A onda de ataques aéreos promovida por Israel contra alvos no Irã e no Líbano frustrou as expectativas de agentes financeiros que apostavam em um desfecho diplomático de curto prazo para as hostilidades na região, consolidando um ambiente de forte aversão ao risco global.
Por volta das 8h20 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo bruto Brent, referência global, operavam em alta de 3,3%, com avanço de US$ 3,00, cotados a US$ 96,17 por barril. No mesmo horário, os futuros do West Texas Intermediate (WTI), balizador do mercado norte-americano, subiam 3,6%, registrando ganho de US$ 3,23 e negociados no patamar de US$ 93,76 por barril. O movimento anulou integralmente as perdas observadas na última sexta-feira.
O estopim para a forte reação dos mercados foi a confirmação de que as forças de defesa israelenses bombardearam o complexo petroquímico de Mahshahr, uma infraestrutura de refino crucial localizada no sudoeste do território iraniano, além de diversas instalações militares. Autoridades da província afetada admitiram à agência de notícias estatal Fars que partes da unidade industrial sofreram danos materiais substanciais. A incursão ocorreu a despeito dos apelos públicos e advertências do presidente dos EUA, Donald Trump, para que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evitasse novas retaliações.
A principal preocupação dos analistas econômicos reside nas garantias de tráfego marítimo global, uma vez que o Irã retaliou lançando uma salva de mísseis contra alvos israelenses no domingo. Diante do impasse, o embaixador iraniano em Moscou sinalizou que a livre navegação no Estreito de Ormuz — por onde escoa cerca de 20% do suprimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) — passará a ser condicionada a novas regras estipuladas conjuntamente por Teerã e Omã, incluindo a cobrança de uma taxa de trânsito aduaneiro.
Desde o início do conflito na região, deflagrado há pouco mais de 100 dias, o barril de Brent já acumula uma valorização expressiva de 34%, tendo atingido picos próximos a US$ 120 no mês de março. No mesmo intervalo de tempo, o indicador WTI registrou uma alta acumulada de 41%. A volatilidade persiste mesmo com as declarações recorrentes da Casa Branca de que um acordo de paz amplo entre Washington e Teerã estaria próximo de ser chancelado.
Como resposta ao choque de oferta, os países membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) reuniram-se extraordinariamente no domingo e chancelaram o quarto aumento consecutivo nas metas de produção em quatro meses. Contudo, especialistas em energia do banco UBS alertam que a medida terá efeito prático nulo sobre os preços, dado que a maior parte dos produtores do cartel não consegue escoar o excedente devido ao bloqueio parcial de rotas marítimas ou, no caso da Rússia, por conta da destruição de refinarias por ataques de drones ucranianos.









