A 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo aprovou, nesta segunda-feira (15), o pedido de recuperação judicial do Grupo Toky e de suas subsidiárias operacionais. A holding varejista, que controla marcas tradicionais do setor de casa e decoração como Tok&Stok, Mobly e Guldi, havia protocolado a solicitação em maio deste ano, reportando um passivo consolidado superior a R$ 1 bilhão.
De acordo com o plano apresentado à Justiça, o estrangulamento financeiro do grupo decorre de uma crise sistêmica no mercado nacional de varejo de móveis. A administração da companhia citou que a combinação persistente de taxas de juros elevadas, o alto índice de endividamento das famílias brasileiras e a forte restrição nas linhas de crédito corporativo provocaram uma retração severa nas vendas e esvaziaram o caixa operacional da empresa nos últimos trimestres. Embora a diretoria estivesse em rodadas de negociação bilaterais para reperfilar os débitos específicos da Tok&Stok, o volume da dívida continuou em trajetória de expansão, tornando o remédio jurídico indispensável para preservar a continuidade do negócio.
Na petição inicial homologada pelo magistrado, o corpo jurídico do Grupo Toky enfatizou a urgência das medidas para afastar o “risco de dano irreparável” às operações cotidianas. O principal pleito emergencial da companhia envolve a liberação de aproximadamente R$ 77 milhões em recebíveis de vendas via cartão de crédito, recursos que se encontram retidos pela instituição financeira SRM Bank.
A retenção desses valores, segundo a defesa da holding, comprometeu de forma severa o capital de giro de curto prazo, colocando em risco o cumprimento de obrigações básicas da folha de pagamento, o que inclui os salários de mais de 2.000 colaboradores diretos.
Com o deferimento do processo de recuperação judicial, o Grupo Toky passa a contar com importantes blindagens operacionais e financeiras. Fica determinada a suspensão temporária de todas as ações de execução, cobranças e bloqueios judiciais por dívidas pretéritas pelo prazo de seis meses, período no qual a empresa formulará o plano oficial de reestruturação de passivos. A Justiça chancelou o pedido para impedir a interrupção de contratos vitais de fornecimento. Credores e prestadores de serviços de logística, transportes, sistemas digitais, infraestrutura de computação em nuvem, energia elétrica e saneamento básico não poderão paralisar o atendimento por inadimplência prévia.
O Grupo Toky foi formalmente constituído no mercado em 2024, fruto de um processo de consolidação setorial que unificou as operações da Mobly e da Tok&Stok. O movimento estratégico de fusão objetivava criar uma das maiores potências de varejo home and decor da América Latina, capturando sinergias logísticas e integrando canais físicos e digitais (omnichannel).
A Mobly ingressou no mercado em 2011, idealizada pelos empreendedores Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho como um e-commerce puro de móveis. A plataforma ganhou escala após receber aportes de capital de risco da incubadora alemã Rocket Internet, expandindo posteriormente para o ambiente físico com o modelo de megastores, outlets e lojas compactas.
A Tok&Stok, por sua vez, foi criada em 1978 pelo casal de franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca revolucionou o mercado doméstico ao introduzir o conceito de móveis modernos, modulares e de pronta-entrega, surfando no boom imobiliário das grandes metrópoles e na ascensão da classe média urbana nas décadas seguintes. O portfólio unificado do grupo abarca ainda a insígnia Guldi, braço especializado na venda digital de colchões em caixa.








