O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a evolução dos preços de produtos na “porta de fábrica” sem a incidência de impostos e fretes, registrou deflação de 0,30% no mês de maio de 2026. O resultado, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa uma reversão total de sinal frente à forte alta de 2,62% apurada em abril. Com o desempenho recente, o indicador passa a acumular uma alta de 4,80% no ano e uma taxa de 1,99% nos últimos 12 meses.
A desaceleração do índice geral refletiu um movimento de acomodação em sete das 24 atividades industriais pesquisadas, com destaque absoluto para os setores de alimentos e indústrias extrativas, cujas quedas neutralizaram a persistente pressão de custos observada na cadeia petroquímica e de plásticos. Pelo lado das grandes categorias econômicas, o recuo foi liderado pelos bens de consumo e intermediários, evidenciando uma perda de fôlego disseminada no setor manufatureiro e de extração mineral ao longo do período.
O recuo de maio foi puxado principalmente pela reversão nas indústrias extrativas, que despencaram após meses de forte alta. O setor de transformação permaneceu praticamente estável no mês.
| Indústria Geral e Seções | Variação Mensal (Mai/26) | Acumulado no Ano (2026) | Acumulado em 12 Meses |
| Indústria Geral | -0,30% | 4,80% | 1,99% |
| • B – Indústrias Extrativas | -5,90% | 15,78% | 16,65% |
| • C – Indústrias de Transformação | -0,01% | 4,30% | 1,36% |
A retração nos preços foi disseminada entre as principais categorias produtivas, liderada pelos Bens de Consumo e pelos Bens Intermediários — estes últimos com o maior peso na composição do índice (55,18%).
- Bens Intermediários (BI): Variaram -0,29% no mês. É o grande motor da inflação acumulada no ano, registrando alta de 7,78% até maio.
- Bens de Consumo (BC): Registraram queda de -0,34% em maio. Há uma clara divisão interna: enquanto os bens duráveis (BCD) subiram 0,09%, os bens semiduráveis e não duráveis (BCND) recuaram -0,42%.
- Bens de Capital (BK): Apresentaram deflação de -0,21% no mês, aprofundando o terreno negativo no acumulado do ano para -0,98%.
O setor de alimentos recuou -2,05% na comparação mensal e exerceu o impacto mais agressivo no alívio do índice geral, com -0,48 p.p. de influência. No acumulado em 12 meses, a deflação do setor chega a -7,84%.
O recuo foi puxado pelo açúcar VHP, açúcar cristal, leite UHT e café torrado. O avanço da safra de cana-de-açúcar e a colheita do café, somados à valorização do Real frente ao dólar, reduziram os preços domésticos e de exportação.
O segmento de Indústrias Extrativistas registrou uma retração expressiva de -5,90% em maio frente a abril, puxado pela desvalorização internacional do óleo bruto de petróleo e do minério de ferro. Mesmo com a queda mensal, o setor ainda lidera a inflação em 12 meses com 16,65% de alta.
Em sentido oposto às quedas, a indústria química avançou 2,14% no mês e acumula uma forte inflação de 20,28% em 2026. O setor continua severamente impactado pelos choques logísticos e de preços internacionais decorrentes dos conflitos no Oriente Médio, que encarecem a nafta e geram reações defensivas de estoques nas cadeias petroquímicas.
O setor de Borracha e Plástico registrou variação positiva de 4,80% em maio, acumulando expressivos 14,78% no ano. Assim como a química fina, o segmento sofre o efeito cascata da alta dos insumos petroquímicos globais, com destaque para o encarecimento de filmes de material plástico para embalagens.









