Gestora de saúde mira cheques de até R$ 50 milhões em modelo deal by deal

A Aggir Ventures, gestora de venture capital especializada em saúde, está preparando uma mudança em seu modelo de investimento. Depois de levantar um fundo de R$ 105 milhões em 2021, a casa agora quer avançar para uma estrutura deal by deal, em que investidores entram em operações específicas, e não em um portfólio fechado como nos fundos tradicionais.

A gestora, sediada no Rio de Janeiro, ainda está investindo os recursos do seu primeiro fundo. Atualmente, são sete empresas investidas, com a meta de chegar a dez companhias até o fim do ano. Os cheques desse veículo ficam entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.

Essa nova estrutura deve mirar operações maiores. A expectativa da Aggir é montar veículos entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões para investimentos individuais, permitindo participações mais relevantes em empresas selecionadas.

Saúde exige capital e prazo mais longo

A mudança de estratégia vem da leitura de que o setor de saúde tem uma dinâmica diferente de outros segmentos de venture capital. Startups de fintech, por exemplo, podem encontrar janelas de saída ou rodadas secundárias em menos tempo. Em saúde, os ciclos costumam ser mais longos, regulados e dependentes de validação clínica, comercial ou operacional.

Segundo Nádia Armelin, cofundadora e partner da Aggir Ventures, a gestora percebeu, depois dos primeiros aportes, que as empresas do setor precisavam de mais capital e levariam mais tempo para amadurecer.

“A partir do terceiro investimento, a gente percebeu que essas empresas precisavam de mais capital e que demorariam mais a sair”, afirmou Nádia ao Startups.

Para a executiva, o modelo deal by deal deixa as regras mais claras para cada operação. O investidor sabe exatamente em qual empresa está entrando, qual tese está apoiando e qual horizonte aquele ativo pode exigir.

Primeiro fundo deve chegar a dez investidas

Por enquanto, a prioridade da Aggir é concluir os investimentos do Fundo 1. O oitavo aporte deve ser anunciado em breve, e a gestora busca mais duas empresas para fechar o ciclo de alocação.

O portfólio atual mostra a diversidade de oportunidades dentro da saúde. Entre as investidas estão a Salú, de saúde ocupacional; a Medway, voltada à preparação para residência médica; a Nefroclínicas, grupo de clínicas de hemodiálise em Belo Horizonte; e a Deepful, que usa inteligência artificial para aumentar a eficiência de representantes da indústria farmacêutica.

Também fazem parte do portfólio a Agora Consulta, plataforma de telemedicina com dispositivos de IoT, e a Covalenty, plataforma de cotação e compras para farmácias. A Covalenty levantou rodada de R$ 15 milhões liderada por Astella e Aggir, com participação de Iporanga, DOMO, 1616 e Stamina.

Captação deve ficar para o segundo semestre

A Aggir pretende esperar o segundo semestre para testar o apetite do mercado pelos novos veículos. O momento ainda é desafiador para venture capital no Brasil, com juros elevados, janela de IPOs fechada e investidores mais seletivos depois de anos de menor liquidez.

Nádia avalia que muitos fundos ainda não conseguiram devolver capital aos cotistas, o que reduz a disposição para novos compromissos. A incerteza eleitoral também pode manter parte dos investidores em compasso de espera.

“Quando eu olho para o cenário, eu falo: vai ser difícil esse ano. Mas acredito que, com menos insegurança sobre o que vai acontecer, o apetite volta”, disse.

IA e regulação sustentam otimismo em saúde

Apesar do cenário macro mais duro, a gestora vê espaço para novas teses em saúde. A principal aposta está no impacto da inteligência artificial sobre o setor, especialmente em eficiência operacional, diagnóstico, gestão de dados, relacionamento com pacientes, pesquisa clínica e apoio à indústria farmacêutica.

Outro ponto positivo é o avanço regulatório. A aprovação recente do Marco Regulatório de Pesquisa Clínica pode abrir novas oportunidades para empresas ligadas a ensaios clínicos, desenvolvimento de medicamentos, dados e infraestrutura de pesquisa.

Para a Aggir, o setor de saúde tende a concentrar inovação relevante nos próximos anos, mesmo em um ambiente de capital mais seletivo.

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