Bank of America projeta crescimento superior a 15% na receita de mercados no 2º trimestre

Bank of America Projeta Crescimento de Receita Comercial, Mas Preocupações com Banco de Investimento Persistem em Meio a Tarifas de Trump

Bank of America/Divulgação

O Bank of America (BAC) poderá superar sua projeção inicial de 15% de crescimento para a receita da divisão de mercados no segundo trimestre, impulsionado pelo forte desempenho do segmento de ações. A sinalização foi dada nesta terça-feira (9) pelo copresidente da instituição, Jim DeMare, durante sua participação na conferência de serviços financeiros do Morgan Stanley, nos Estados Unidos.

De acordo com DeMare, embora os spreads de crédito tenham se mantido firmes, a maior fatia da atividade e das receitas corporativas do banco tem sido gerada pelas mesas de negociação de renda variável. Essa dinâmica de forte tração no mercado acionário repete uma tendência observada em todo o ecossistema de Wall Street ao longo dos últimos 12 meses. A estimativa anterior de alta de 15% havia sido divulgada pelo CEO do banco, Brian Moynihan, tomando como base de comparação o mesmo período do ano passado, quando as mesas foram impactadas pela volatilidade decorrente do aumento das tarifas comerciais americanas.

O desempenho projetado coloca a divisão de mercados globais do Bank of America — que foi liderada por DeMare até sua promoção no final do ano passado — na direção de consolidar o seu 17º trimestre consecutivo de expansão financeira, sustentada pelo volume robusto de ordens de clientes institucionais.

Mesmo diante do cenário macroeconômico global tensionado pelo conflito militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, que já se estende por quatro meses e gera pressões inflacionárias nos custos de energia e fretes marítimos, o ambiente de negócios de Wall Street permanece resiliente. O copresidente do banco ponderou que, apesar da volatilidade geopolítica, os planos estratégicos das corporações seguem ativos no mercado financeiro.

“Nada realmente relevante está sendo cancelado”, afirmou Jim DeMare, destacando que os clientes corporativos têm focado suas discussões no momento ideal (timing) para a execução de suas transações, operando sob a expectativa de uma resolução célere para as tensões no Oriente Médio.

O executivo do Bank of America também demonstrou forte otimismo com a carteira de Ofertas Públicas Iniciais de Ações (IPOs) e fusões e aquisições (M&A). Na avaliação de DeMare, o fato de os spreads corporativos estarem operando em patamares apertados funciona como um poderoso incentivo financeiro para a atração de capital de risco e para a consolidação de grandes negócios privados.

O otimismo do banco coincide com uma semana considerada histórica para as listagens tecnológicas no mercado norte-americano. O mercado financeiro global se prepara para a estreia em bolsa da SpaceX, de Elon Musk, evento que servirá de balizador de liquidez para o setor de inovação após os registros confidenciais de IPO protocolados formalmente pelas startups de inteligência artificial OpenAI e Anthropic.

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