A BASF deu mais um passo na preparação de seu negócio agrícola para uma futura abertura de capital. Desde 1º de julho, a operação dedicada ao agro passou a funcionar formalmente no Brasil sob uma estrutura própria, em linha com a reorganização global que pretende deixar a divisão pronta para um IPO previsto para 2027.
A mudança cria no país uma operação integralmente voltada à agricultura, com governança, processos e sistemas próprios. O movimento faz parte da separação da BASF Agricultural Solutions das demais atividades do grupo químico alemão e avança em um dos mercados mais relevantes para a divisão no mundo.
A formalização foi tornada pública por Marcelo Batistela, vice-presidente da área agrícola da BASF no Brasil, em uma publicação no LinkedIn. Segundo o executivo, centenas de profissionais participaram do projeto de transformação e da mudança da entidade legal no país.
Essa reorganização brasileira ocorre depois de etapas semelhantes em outras regiões. Na América do Norte, a separação legal e de sistemas de gestão já havia sido concluída. Agora, operações dos cerca de 120 países onde a companhia mantém negócios agrícolas avançam na adaptação para a nova estrutura.
Separação prepara divisão para mercado de capitais
A transformação começou a ganhar contornos públicos em 2024, quando a BASF passou a admitir a possibilidade de tornar o negócio agrícola mais independente. O plano foi posteriormente detalhado a investidores e prevê preparar a companhia para uma listagem na Bolsa de Frankfurt em 2027.
A BASF pretende permanecer como acionista majoritária após a operação, segundo informações divulgadas anteriormente pela companhia. A nova empresa será liderada globalmente por Livio Tedeschi, que já comandava a divisão agrícola.
Em abril de 2026, acionistas deram aval para o avanço da separação, acelerando a criação das novas estruturas jurídicas e operacionais em diferentes mercados.
O tamanho do negócio ajuda a explicar a relevância da mudança. A divisão agrícola responde por mais de 16% das receitas do grupo e faturou € 9,5 bilhões em 2025, cerca de R$ 57 bilhões na conversão apresentada pelo AgFeed. O resultado ficou 2% abaixo do registrado no ano anterior.
Um relatório do Jefferies Financial Group citado pelo AgFeed estimou anteriormente que uma eventual abertura de capital poderia atribuir à divisão um valor de € 16,5 bilhões, próximo de R$ 100 bilhões pelo câmbio considerado na publicação.
