O avanço da aviação executiva no Brasil começa a aparecer de forma mais clara na movimentação dos aeroportos especializados no segmento. Em Curitiba, o Aeroporto do Bacacheri encerrou 2025 com 33.848 pousos e decolagens, um crescimento de aproximadamente 47% em relação a 2022, quando foram registradas 23.021 operações.
Administrado pela Motiva desde março daquele ano, o terminal é dedicado à aviação geral e executiva e passou a figurar entre os dez aeroportos mais movimentados do país nessa categoria, segundo dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) apresentados pela companhia.
O desempenho acompanha uma expansão mais ampla do setor. Dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG) citados pela empresa apontam que a frota brasileira de aviação executiva chegou a 11.239 aeronaves, volume que colocaria o país na segunda posição mundial. Na comparação com o período anterior, o crescimento informado é de 6,5%.
Entre os diferentes tipos de aeronaves, os jatos executivos tiveram avanço ainda mais acelerado, com expansão de 17% da frota. A procura tem sido impulsionada por deslocamentos corporativos, operações ligadas ao agronegócio, fretamentos e conexões entre cidades sem oferta regular de voos comerciais.
Bacacheri cresce com demanda de negócios e serviços aeronáuticos
A alta de 47% registrada desde 2022 transforma o Aeroporto do Bacacheri em um exemplo da pressão exercida pelo crescimento do setor sobre a infraestrutura especializada. Diferentemente dos grandes terminais comerciais, sua operação está concentrada em aeronaves particulares, táxi aéreo, manutenção e outros serviços ligados à aviação geral.
“Curitiba possui localização estratégica e uma economia fortemente conectada aos setores industrial, logístico e corporativo, o que amplia a demanda por operações executivas, manutenção aeronáutica e serviços especializados”, afirma Eduardo Schein, gerente do Aeroporto do Bacacheri.
O terminal abriga dezenas de empresas relacionadas à aviação executiva, manutenção e fretamento. Entre os operadores instalados estão Helisul, Hércules Táxi Aéreo e SyncJet, formando um ecossistema que vai além do pouso e da decolagem das aeronaves.
O crescimento do Bacacheri também ocorre em um momento de expansão do táxi aéreo. Segundo levantamento da ABAG informado pela Motiva, 145 empresas brasileiras do segmento operavam 686 aeronaves no segundo semestre de 2025, alta de 6,26% em um curto intervalo.
Em janeiro de 2022, a frota nacional de táxi aéreo era próxima de 600 aeronaves. A comparação indica crescimento superior a 14% em pouco mais de três anos, impulsionado pela demanda por fretamentos, deslocamentos corporativos e operações regionais.
Aviação geral amplia conexão além da malha comercial
A dimensão do setor também aparece na quantidade de localidades atendidas. Enquanto a aviação comercial regular chega a cerca de 176 destinos, a aviação geral opera em mais de 3.700 aeroportos e aproximadamente 1.365 helipontos no Brasil, conforme números da ABAG apresentados pela companhia.
A diferença ajuda a explicar por que o segmento ganhou importância para empresas que precisam conectar unidades industriais, propriedades rurais, centros logísticos e cidades fora das principais rotas comerciais.
No agronegócio, por exemplo, aeronaves executivas reduzem o tempo de deslocamento até regiões com baixa frequência de voos regulares. Em grandes grupos empresariais, a mesma lógica aparece nas viagens entre fábricas, centros de distribuição e escritórios. A aviação geral também atende operações aeromédicas e serviços especializados.
A Motiva, responsável pela administração do aeroporto, opera atualmente 17 terminais no Brasil e três no exterior. O grupo também atua em rodovias e transporte sobre trilhos e reúne 39 ativos em 13 estados brasileiros.









