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Home Agronegócio

Bem-estar animal se consolida como pilar de competitividade e gestão de risco no agronegócio brasileiro

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
11/05/2026
em Agronegócio
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O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, abriu o Fórum com o tema Estratégia, política e o papel do agro na nova ordem econômica

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O bem-estar animal deixou de ser um tema restrito ao campo técnico para se tornar um ativo estratégico na nova ordem econômica global. Esta foi a principal conclusão do Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance, realizado nesta quinta-feira (7), em São Paulo (SP).

O evento, organizado pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) e pela certificação Produtor do Bem, evidenciou que a conformidade com padrões éticos de produção é, hoje, um fator decisivo para a atração de investimentos e abertura de mercados exigentes.

Na abertura do encontro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luís Rua, destacou que a competitividade brasileira não pode mais se basear apenas em preço, já que o cenário internacional adicionou à mesa de negociações componentes como critérios técnicos, ambientais e de governança. “Somos o motor da economia, com recordes de produção, mas não podemos dormir em berço esplêndido. O mundo reconhece nossa expertise, mas precisamos melhorar nossa imagem internacional e mostrar que o Brasil é um produtor sério que respeita regras muitas vezes mais exigentes do que as globais”, afirmou Rua.

A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves, reforçou que o protagonismo mundial do país amplia as exigências éticas. “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Precisamos unir a ciência para evoluir de forma racional, garantindo que os passos desse gigante sejam bem pensados para manter a sustentabilidade do setor”, destacou.

A integração entre o campo e o mercado financeiro evidenciou que o bem-estar animal é um indicador de maturidade na gestão. A head de Riscos Socioambientais do Santander, Silvia Chicarino, explicou que o banco avalia a resiliência do cliente diante das tendências. “O bem-estar animal entra em nossos questionários porque dados sobre esse tema revelam uma visão mais madura da gestão socioambiental”, afirmou.

Essa percepção foi reforçada por Celso Funcia Lemme, docente da UFRJ, ao destacar que o bem-estar animal é fator de liderança e valor. “A inovação garante a perenidade. Mais do que o custo da mudança, precisamos mensurar o quanto custa não mudar e os riscos que isso representa”, pontuou. Na mesma linha, o sócio da ABC Associados, Aron Belinky, defendeu um ESG pragmático. “Empresas sustentáveis geram mais resultados. Nossa missão é reorganizar os sistemas de incentivos para que as organizações mudem sua forma de agir diante das novas demandas”.

Complementando a visão de mercado, o analista de ESG da Régia Capital, Bruno Bernardo, detalhou que as instituições já aplicam checklists rigorosos, incluindo auditorias e o uso racional de antibióticos. “Acompanhamos as empresas para garantir que os produtores acessem o capital necessário para financiar essas mudanças, respeitando a tropicalização das normas no Brasil”, disse.

O debate convergiu para a necessidade de certificações robustas e com boa governança. Para os especialistas, selos de auditoria externa são fundamentais para conferir credibilidade aos dados, servindo como base segura para análises de risco e decisões que envolvem grandes aportes de capital.

A “tropicalização” das normas de bem-estar animal foi defendida como essencial para a realidade brasileira. A diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara, ressaltou a importância de priorizar ações baseadas na ciência e no bioma local. “A maior dificuldade é traduzir isso de modo prático e técnico, definindo como financiamos essas transições”, afirmou.

Na sequência, o consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado apontou que a maturidade do mercado impulsiona a transparência. “O consumidor busca atributos que vão além da prateleira. Sustentabilidade, bem-estar animal e qualidade são indissociáveis e caminham juntas”, explicou.

No varejo e na indústria de pet food, o desafio é conectar propósito e consumo. O diretor global de Sustentabilidade e Relações Governamentais da MBRF, Paulo Pianez, lembrou que, embora preço e segurança dominem a decisão, o bem-estar animal surge como diferencial de excelência.

Já o head de Negócio de Ovos da AB Mauri, Vitor Oliveira, ponderou sobre o equilíbrio econômico. “O custo mais alto pode causar um descompasso entre investimento e compra, mas percebemos uma nova virada de confiança em busca de produtos que atendam a esses compromissos”, pontuou.

O gerente de Desenvolvimento Sustentável da Special Dog e presidente da COBEA, João Paulo Figueira, demonstrou que o viés emocional é um diferencial competitivo. “A sustentabilidade é uma nova filosofia de negócio que divide protagonismo com o lucro”, relatou.

No elo produtivo, a CEO da Auma Agronegócio, Lucimar Silva, reforçou que a mudança cultural é o único caminho. “A nova geração busca propósito e quer causar impacto. Práticas éticas impulsionam marcas a inovarem com transparência e responsabilidade”, concluiu.

Para a diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, o momento é de protagonismo e coragem para sair da “bolha” técnica. “O Brasil, como maior produtor de proteína animal do mundo, tem um potencial de impacto gigantesco. Atenção ao bem-estar animal não é mais opcional, é estratégia de negócios. O relatório vem para tangibilizar esse trabalho e dar um norte comum para onde o setor deve caminhar”, afirmou.

Para o diretor-executivo da Produtor do Bem, José Rodolfo Ciocca, o sucesso do Fórum reside na construção de pontes entre o produtor e o investidor. “Nem todos passam pelos mesmos desafios, mas o bem-estar animal é o pilar que pode posicionar o país de forma diferenciada nos mercados mais exigentes. Não se trata de conformidade, mas de visão estratégica”, observou.

Já o presidente da COBEA celebrou o engajamento recorde do encontro. “Temos um momento importante de consolidação e o entusiasmo que vimos aqui mostra uma vontade genuína de transformação. Trabalhar esse tema de forma coletiva ao longo da cadeia é fundamental para construir caminhos e buscar soluções e sinergias no ambiente pré-competitivo”, finalizou.

Tags: AgronegócioBem-estar animalCompetitividadeRisco
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