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Home Carreira

45% dos universitários já empreenderam ou querem abrir negócio, aponta pesquisa

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
12/05/2026
em Carreira
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Unicamp aparece no topo entre as instituições mais bem avaliadas no estímulo ao ensino empreendedor
Antoninho Perri e Antonio Scarpinetti

Unicamp aparece no topo entre as instituições mais bem avaliadas no estímulo ao ensino empreendedor Antoninho Perri e Antonio Scarpinetti

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Quase metade dos universitários brasileiros já empreendeu ou pretende abrir um negócio, segundo o IESE 2025, índice nacional da Brasil Júnior que ouviu mais de 33 mil estudantes em 121 instituições de ensino superior. O levantamento mostra que, apesar do interesse dos jovens pelo empreendedorismo, a percepção sobre cultura empreendedora, infraestrutura, ambientes de inovação e acessibilidade ainda varia entre as universidades.

No ranking geral, Unicamp e USP aparecem nas duas primeiras posições entre as instituições mais bem avaliadas no estímulo ao ensino empreendedor. Além de identificar as universidades mais bem avaliadas, o levantamento aponta desafios no dia a dia do campus, como infraestrutura e organização do ensino. Os resultados funcionam como diagnóstico para orientar ajustes no planejamento das instituições.

Na sequência do ranking, além da Unicamp e da USP, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) também aparecem entre as mais bem colocadas.

“Mais do que mostrar posições, o IESE ajuda a tornar mais visível o impacto que a educação empreendedora pode gerar dentro e fora das instituições. Quando a gente olha para esses resultados, o que aparece não é só desempenho, mas a capacidade de formar jovens com repertório para transformar realidades, propor soluções e contribuir de forma concreta com o desenvolvimento do país”, diz Vithória Rodrigues, presidente executiva da Brasil Júnior. 

Veja as 10 primeiras no ranking geral:

1º- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
2º- Universidade de São Paulo (USP)
3º- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
4º- Universidade Federal de Itajubá (Unifei)
5º- Universidade Federal de Viçosa (UFV)
6º- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
7º- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
8º- Universidade Federal de Lavras (UFLA)
9º- Universidade do Vale do Taquari (Univates)
10º- Universidade de Brasília (UnB)

O IESE também listou as instituições mais bem avaliadas por região. No Norte, a primeira colocada foi a Universidade do Estado do Amazonas (UEA); no Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); no Centro-Oeste, a Universidade de Brasília (UnB); e, no Sul, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Na pesquisa, 63,2% dos respondentes disseram que, durante a graduação, contribuíram para o crescimento de um ou mais projetos dentro da instituição, e 45,1% afirmaram que já empreenderam ou pretendem abrir um negócio. Quando o recorte é a cultura empreendedora, 51,25% concordaram parcial ou totalmente, enquanto 25,88% discordaram parcial ou totalmente. Para a Brasil Júnior, os dados indicam que essa cultura ainda não é percebida de forma homogênea no ambiente universitário.

O estudo mostra ainda que a contribuição da matriz curricular e do modelo de ensino para o desenvolvimento de competências empreendedoras é percebida, em geral, de forma parcial pelos estudantes. O resultado sugere avanços, mas indica que essas práticas ainda não estão plenamente consolidadas nas instituições. Características como curiosidade e pensamento inovador e criativo aparecem com maior concordância, enquanto aspectos como planejamento de atividades, facilidade para comunicar ideias e apoio a iniciativas empreendedoras têm avaliações mais distribuídas, o que indica fragilidades na consolidação prática dessas competências.

Na avaliação de infraestrutura, que considerou apenas estudantes que vivenciam o ensino presencial, itens básicos como salas de aula, bibliotecas e laboratórios concentram mais respostas nas categorias “boa” e “excelente”. Em contrapartida, transporte interno, moradia estudantil e ambientes de inovação aparecem com percentuais elevados na opção “não observado”, o que aponta limitações de oferta e de integração desses espaços à vivência acadêmica. O levantamento também ressalta que a acessibilidade segue como desafio, já que nenhuma dimensão voltada a pessoas com deficiência supera, de forma significativa, 20% de avaliações “excelente”. Embora a disponibilidade de acesso à internet seja bem avaliada, a velocidade de conexão no ensino presencial se concentra entre “razoável” e “boa”.

Para a coordenadora geral do IESE 2025, Emanuelly Araújo, o índice deve ser entendido como um instrumento de diagnóstico, capaz de orientar ajustes no planejamento institucional. “O IESE não se propõe apenas a classificar instituições, mas a compreender, com base em dados e na percepção dos estudantes, como o ambiente acadêmico favorece inovação, extensão e protagonismo estudantil”.

Outro desafio recorrente destacado no levantamento é a indisponibilidade de determinados dados e a falta, em muitas instituições, de bases estruturadas para acompanhar atividades, indicadores e resultados. Segundo a Brasil Júnior, isso afeta a capacidade de análise e de tomada de decisão. Por isso, a metodologia da pesquisa seguiu referências nacionais e internacionais e organizou os resultados em quartis, para comparar o desempenho relativo entre instituições com níveis diferentes de maturidade. O material também destaca que a transparência pública foi adotada como critério estratégico, porque nem sempre os dados estão disponíveis de forma acessível ou padronizada nos canais institucionais.

O IESE 2025 também selecionou cases reconhecidos como Boas Práticas, com iniciativas em eixos como cultura empreendedora, extensão, infraestrutura, inovação e internacionalização. Entre os exemplos listados estão “Startup Mentoring UFSC” (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC), “Programa Sinergia” (Universidade Federal de Santa Maria – UFSM) e “O Selo UFV +Sustentável” (Universidade Federal de Viçosa – UFV).

Tags: CarreiraEmpresasMercadoNegóciosUniversitários
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