Braskem acelera produção para ocupar espaço deixado por concorrentes do Oriente Médio

A Braskem tenta transformar a crise no Oriente Médio em uma oportunidade para ganhar mercado no setor petroquímico global.

A companhia, que enfrenta alto endividamento e negocia uma proposta de recuperação extrajudicial, segue aumentando sua produção mesmo após o recuo dos preços internacionais de petroquímicos, segundo informações da Bloomberg.

Com isso, a avaliação interna é que plantas petroquímicas atingidas no Oriente Médio podem levar de 12 a 18 meses para voltar à operação. Esse intervalo abre uma janela para que a Braskem amplie sua presença em mercados atendidos por concorrentes do Golfo.

“A estratégia é capitalizar com a alta atual e se preparar para o próximo ciclo de alta”, afirmou William França, diretor-executivo da Petrobras e conselheiro da Braskem, à Bloomberg.

Produção sobe em meio à crise

Os preços globais de petroquímicos dispararam após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que levaram Teerã a fechar o Estreito de Ormuz e interromper parte do fluxo de produtos do Golfo Pérsico.

Com a aproximação de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, os preços começaram a recuar. O etileno spot, por exemplo, caiu 4,1% na última semana.

Mesmo assim, a Braskem manteve a estratégia de elevar a operação. Segundo França, a eficiência geral das plantas chegou a cerca de 70%. A meta é alcançar 85% até dezembro.

A companhia não comentou o assunto à Bloomberg.

Mercado petroquímico tenta sair da baixa

A movimentação ocorre em um setor que atravessa uma desaceleração prolongada.

O mercado petroquímico global sofre há anos com excesso de oferta, margens pressionadas e demanda abaixo do esperado em algumas regiões. Para França, a recuperação mais significativa deve ocorrer a partir de 2028.

Até lá, a Braskem tenta ganhar eficiência, ocupar espaços deixados por concorrentes e melhorar sua posição operacional.

A janela aberta no Oriente Médio pode ser relevante porque a região é uma das grandes fornecedoras globais de petroquímicos, com plantas competitivas e acesso a matérias-primas mais baratas.

Dívida segue no centro da agenda

Apesar da oportunidade operacional, a situação financeira da Braskem continua sendo um dos principais desafios.

A empresa e seus controladores, a IG4 Capital e a Petrobras, buscam apoio de credores para avançar com uma proposta de recuperação extrajudicial. Caso não consiga adesão suficiente, aumentam as chances de uma recuperação judicial, segundo a Bloomberg.

A IG4 assumiu o controle da Braskem após acordo com a Novonor, antiga Odebrecht. Como parte da nova estrutura, a Petrobras ampliou sua influência na gestão da petroquímica.

Petrobras ganha mais espaço na Braskem

A CEO da Petrobras, Magda Chambriard, assumiu a presidência do conselho da Braskem.

Além dela, William França e o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, passaram a integrar o conselho da petroquímica. A estatal também indicou nomes para áreas operacionais, incluindo logística e operações.

A Petrobras tem participação minoritária relevante na Braskem e busca novas formas de integração entre as duas companhias.

Entre as possibilidades estão o fornecimento de mais etano para a petroquímica e o aumento da compra de hidrogênio produzido pela Braskem para uso nas refinarias da estatal.

A Petrobras também negocia com fornecedores americanos de nafta, uma das principais matérias-primas da indústria petroquímica.

IG4 lidera negociação com credores

Enquanto a Petrobras concentra a atuação na frente operacional, a IG4 lidera as conversas sobre a dívida da Braskem.

“Questões externas são responsabilidade da IG4”, afirmou Melgarejo à Bloomberg. “A Petrobras não vai estar envolvida em nenhuma questão de estrutura de capital. Internamente, do ponto de vista operacional, é a Petrobras.”

A divisão de papéis mostra como a nova fase da Braskem combina dois desafios simultâneos.

De um lado, a empresa precisa reorganizar sua estrutura financeira e convencer credores a apoiar a proposta de recuperação extrajudicial. De outro, precisa aproveitar o momento de mercado para melhorar eficiência, ampliar produção e ganhar competitividade.

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