A BYD, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, registrou queda de 55,4% no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 4,1 bilhões de yuans (cerca de US$ 599 milhões). É a retração mais acentuada desde 2020, segundo documento divulgado pela empresa à bolsa de valores nesta terça-feira. A receita também recuou 11,8%, a 150,2 bilhões de yuans, acumulando três trimestres consecutivos de declínio.
Os resultados refletem uma combinação de fatores que vem pressionando a companhia no mercado interno. A China reduziu os subsídios para carros elétricos de entrada e híbridos plug-in, e as vendas domésticas da BYD caíram pelo sétimo mês consecutivo em março. A concorrência também se intensificou, com rivais como Geely e Leapmotor avançando no segmento de modelos econômicos — exatamente o nicho em que a BYD construiu sua liderança, com veículos abaixo de 150.000 yuans (cerca de US$ 21.900).
Para analistas, a recuperação dependerá do desempenho nos próximos trimestres. Eugene Hsiao, chefe de estratégia de ações chinesas da Macquarie Capital, afirmou que a BYD precisa ampliar o volume de vendas domésticas no segundo trimestre e sustentar uma retomada de participação de mercado no terceiro para que os lucros melhorem de forma consistente. Ele alertou, porém, que as exportações podem não compensar totalmente a fraqueza interna se as tendências atuais persistirem.
Diante da pressão no mercado doméstico, a BYD está apostando na expansão internacional. A empresa afirmou estar confiante em atingir a meta de 1,5 milhão de veículos vendidos no exterior em 2026 — crescimento superior a 40% em relação a 2025. Vincent Sun, analista da Morningstar, projeta que as exportações da companhia cresçam entre 25% e 30% no ano, com as vendas totais avançando cerca de 12%.
A estratégia global da BYD combina exportações com localização da produção em mercados estratégicos, além de foco em tecnologia avançada para diferenciar seus modelos da concorrência. Na frente tecnológica, a empresa está investindo em sistemas de carregamento ultrarrápido, com o objetivo de atrair motoristas ainda fiéis aos veículos a combustão, reduzindo as preocupações com o tempo de recarga.
O desempenho fraco no trimestre aprofunda um desafio estrutural para a BYD: equilibrar a expansão internacional acelerada com a recuperação necessária no mercado chinês, que ainda responde pela maior parte de suas receitas.
