A China aprovou a primeira rodada de compras do chip de inteligência artificial H200, produzido pela gigante americana Nvidia, marcando uma virada significativa nas tensões comerciais entre as duas superpotências. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, as licenças iniciais abrangem centenas de milhares de unidades, com um valor de mercado estimado em US$ 10 bilhões.
Gigantes da tecnologia chinesa, como Alibaba e ByteDance, estão entre as primeiras empresas autorizadas a receber os componentes, sinalizando um afrouxamento nas restrições de Pequim após meses de incertezas e o impasse que havia levado a participação da Nvidia no mercado chinês a quase zero.
A decisão estratégica ocorre em meio à visita do CEO da Nvidia, Jensen Huang, à China e precede a viagem oficial do presidente americano Donald Trump a Pequim, agendada para abril. O movimento é interpretado como um desdobramento da trégua comercial firmada entre Trump e Xi Jinping em outubro passado, na Coreia do Sul. Embora os EUA tenham liberado a exportação do modelo H200 — mais potente que as versões anteriormente permitidas —, ainda havia dúvidas sobre se o governo chinês aceitaria a entrada dos produtos, dado o esforço nacional para fomentar uma indústria de semicondutores autossuficiente e as alegações anteriores de riscos à cibersegurança.
Apesar da abertura para os chips americanos, Pequim mantém uma política de equilíbrio rigorosa para proteger o desenvolvimento tecnológico local. As autoridades chinesas exigiram que as empresas compradoras apresentassem documentação detalhada comprovando o uso dos chips H200 apenas em pesquisa e desenvolvimento avançado de IA.
Simultaneamente, o governo impôs que tarefas de treinamento menos complexas e a maioria das cargas de trabalho de inferência — processo em que a IA gera respostas para usuários — continuem sendo executadas por chips fabricados na China. Essa estratégia híbrida visa acelerar a criação de modelos de ponta com tecnologia americana, sem abandonar a meta de soberania digital.
A autorização representa um alívio financeiro crucial para a Nvidia, que viu seu domínio no mercado chinês ser ameaçado por concorrentes locais durante o período de restrições. Jensen Huang, que cumpre sua tradicional agenda de Ano Novo Lunar visitando escritórios em Xangai, Pequim e Shenzhen, deve seguir para Taiwan para coordenar com fornecedores o aumento da produção para atender a essa nova demanda.
Enquanto isso, o mercado observa a reação dos desenvolvedores chineses, que alertam que, embora os chips nacionais tenham evoluído, o acesso limitado à infraestrutura da Nvidia ainda é o principal fator que impede a ampliação do hiato tecnológico entre China e Estados Unidos.









