A Subsea7, Repsol Sinopec Brasil, ExxonMobil Brasil e Petrobras avançaram para uma nova fase de testes de uma tecnologia criada para simplificar parte da infraestrutura usada na produção de petróleo em águas ultraprofundas. O projeto, chamado Gimbal Joint Riser (GJR), já chegou a um protótipo em escala real e entra agora em validação experimental.
A proposta é substituir configurações mais complexas de risers, as tubulações que conectam sistemas submarinos às plataformas, por uma estrutura capaz de absorver os movimentos provocados pela unidade de produção.
Na prática, o GJR adiciona uma junta multiarticulada ao sistema rígido e permite que a tubulação opere em catenária livre, suspensa diretamente, sem depender das grandes estruturas de flutuação usadas em modelos convencionais como os Steel Lazy Wave Risers.
A simplificação pode eliminar centenas de metros adicionais de tubulação e reduzir a quantidade de materiais e equipamentos envolvidos na instalação.
“Os dados provam que simplificar a estrutura submarina elimina a necessidade de centenas de metros de tubulações adicionais, reduzindo os custos de instalação e a pegada de carbono”, afirma Yann Cottart, vice-presidente sênior Brazil GPC West da Subsea7.
Projeto soma mais de 15 mil horas de engenharia
A nova fase já consumiu mais de 15 mil horas de engenharia e mobilizou uma equipe multidisciplinar de mais de 100 profissionais apenas na empresa executora, sem considerar os trabalhadores envolvidos na cadeia de fornecedores.
O protótipo em tamanho real será submetido a testes de laboratório que reproduzem limites de carregamento e condições encontradas em ambientes offshore extremos.
O objetivo é avançar na maturidade tecnológica em direção ao TRL 6, estágio no qual um sistema já demonstra funcionamento em ambiente relevante.
O desenvolvimento é financiado pela cláusula de obrigação de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Tecnologia mira redução de CAPEX e materiais
Além de simplificar a instalação, o projeto busca reduzir o investimento necessário em sistemas submarinos.
Com menos tubulações, equipamentos de flutuação e etapas logísticas, a expectativa é diminuir o CAPEX dos projetos e também as emissões associadas à fabricação, transporte e instalação dos componentes.
A solução também é apresentada como alternativa a determinados sistemas de tubos flexíveis em configuração lazy wave.
Segundo os responsáveis pelo projeto, o desenho da armadura externa absorve cargas de tração e protege o componente flexível interno, reduzindo um dos fatores relacionados à corrosão sob tensão, desafio conhecido pela sigla SCC.
“O GJR evidencia o valor da colaboração entre parceiros de excelência para o avanço de soluções tecnológicas voltadas aos desafios da produção em águas ultraprofundas”, afirma José Salinero, gerente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento da Repsol Sinopec Brasil.









