O leilão de transmissão de energia elétrica realizado pelo governo federal nesta sexta-feira sacramentou a retomada de quatro projetos estratégicos que haviam ficado travados nos últimos anos. O consórcio Olympus, liderado pela Alupar (ALUP11), e a Axia Energia (AXIA3) foram os grandes vencedores do certame de relicitação. Juntas, as companhias garantiram um volume de R$ 1,8 bilhão em investimentos privados direcionados a obras de reforço e expansão da rede de alta tensão nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Todos os lotes ofertados no leilão são fruto de um processo inédito de devolução amigável por parte da MEZ Energia (empresa ligada à família Zarzur, controladora da construtora Eztec). A antiga concessionária havia arrematado os projetos com lances altamente agressivos em leilões promovidos pelo governo entre 2020 e 2021, mas enfrentou dificuldades financeiras e operacionais e não conseguiu tirar as estruturas do papel.
Para evitar uma disputa judicial prolongada, o Ministério de Minas e Energia negociou uma solução jurídica consensual no âmbito da Secex-Consenso, câmara de mediação do Tribunal de Contas da União (TCU), viabilizando a transferência dos ativos.
A disputa na B3 foi marcada por forte concorrência, resultando em deságios superiores a 50% em relação à Receita Anual Permitida (RAP) máxima estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que se traduz em modicidade tarifária para o consumidor final:
| Vencedor do Lote | Escopo do Projeto e Localização | Investimento Estimado | Deságio Ofertado |
| Consórcio Olympus (Alupar + Fundo Infra II) | Instalação de linhas de transmissão subterrâneas na Região Metropolitana de São Paulo | R$ 1,1 bilhão | 52,0% de desconto sobre a RAP |
| Axia Energia (Ex-Eletrobras) | Três lotes de obras de transmissão no interior de SP, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul | R$ 668 milhões | Superior a 50,0% em todos os lotes |
O Consórcio Olympus assegurou o ativo de maior complexidade de engenharia e Capex do certame. O projeto na Grande São Paulo exige a abertura de valas e o lançamento de cabos isolados subterrâneos, uma solução técnica necessária para áreas urbanas densamente povoadas, com o objetivo de aumentar a confiabilidade do suprimento elétrico na capital paulista. Por sua vez, a Axia Energia consolidou sua estratégia de expansão geográfica ao abocanhar os outros três lotes em disputa, ampliando sua presença física em importantes corredores de escoamento de energia do agronegócio no Centro-Oeste.









