O índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos registrou um avanço inesperado em fevereiro, superando as projeções do mercado e sinalizando um alívio nas expectativas pessimistas das famílias americanas.
Segundo dados divulgados pelo Conference Board nesta terça-feira (24), o indicador subiu para 91,2 pontos, vindo de um patamar revisado de 89,0 em janeiro. O resultado surpreendeu analistas consultados pela FactSet, que previam uma alta mais tímida, em torno de 87,3 pontos.
A melhora no sentimento do consumidor foi atribuída, em parte, a uma percepção ligeiramente mais positiva sobre o mercado de trabalho. De acordo com Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board, embora a confiança tenha aumentado, o índice ainda permanece significativamente abaixo do pico de quatro anos registrado em novembro de 2024.
A dinâmica ocorre em um cenário de dualidade estatística: enquanto a taxa de desemprego oficial recuou de 4,4% em dezembro para 4,3% em janeiro, o mercado real ainda apresenta dificuldades estruturais, como o desemprego de longa duração e a escassez de vagas para recém-formados.
O ambiente econômico, entretanto, segue pressionado por incertezas no campo das políticas governamentais. Economistas avaliam que as diretrizes comerciais e de imigração da administração de Donald Trump têm restringido o ritmo de contratações pelas empresas.
A disputa em torno das tarifas de importação ganhou novos capítulos após a Suprema Corte dos EUA derrubar, na última sexta-feira, taxas impostas sob o argumento de emergência nacional.
Em uma resposta rápida à decisão judicial, o presidente Trump estabeleceu uma tarifa global de 10% com validade de 150 dias para substituir as medidas invalidadas.
A ofensiva tarifária foi intensificada já no último sábado, com o aumento da taxa para 15%, mantendo o comércio exterior em um estado de constante volatilidade. Esse cabo de guerra institucional e tarifário permanece como o principal contraponto à recuperação da confiança, limitando o otimismo dos consumidores sobre o futuro da maior economia do mundo.









