As concessões de crédito no Brasil registraram uma retração acentuada no primeiro mês do ano, impulsionadas pela combinação de juros elevados e maior cautela das instituições financeiras.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, o volume de novos empréstimos despencou 18,9% em janeiro na comparação com dezembro. O movimento impactou o estoque total de crédito no país, que apresentou um leve recuo de 0,2%, totalizando R$ 7,116 trilhões.
A queda foi sentida em ambas as modalidades de financiamento, mas com intensidades distintas. No segmento de recursos livres — onde as taxas são pactuadas diretamente entre bancos e clientes — o recuo foi de 17,2%. Já as operações com recursos direcionados, que seguem regras específicas do governo (como o crédito imobiliário e rural), sofreram uma retração ainda mais drástica, batendo 32,9% no período.
Além do menor volume de dinheiro em circulação, o custo do crédito voltou a subir. A taxa média de juros no segmento livre avançou 1,2 ponto percentual, atingindo a marca de 47,8% ao ano em janeiro.
No crédito direcionado, a alta foi mais modesta, de 0,2 ponto, encerrando o mês em 11,6%. Acompanhando o encarecimento das taxas, o spread bancário — a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra do consumidor final — saltou de 33,0 para 34,3 pontos percentuais.
O cenário de crédito mais caro e restrito reflete-se também nos indicadores de risco. A inadimplência no segmento de recursos livres apresentou uma leve pressão de alta, passando de 5,4% em dezembro para 5,5% em janeiro.
Esse conjunto de indicadores aponta para um início de ano de maior rigor nas concessões, com o sistema financeiro reagindo ao ambiente macroeconômico e à necessidade de controle de riscos nas carteiras de empréstimos.









