Cooperativas de crédito superam R$ 1 trilhão em ativos e ampliam espaço no sistema financeiro

As cooperativas de crédito ultrapassaram R$ 1 trilhão em ativos em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O marco coloca o cooperativismo financeiro em um novo patamar dentro do sistema brasileiro, com presença crescente em municípios menores e uma oferta que já inclui crédito, investimentos, seguros e meios de pagamento.

Atualmente, o setor reúne 689 cooperativas singulares espalhadas pelo país. Diferentemente dos bancos tradicionais, essas instituições operam sob um modelo em que os clientes também são associados e participam da estrutura cooperativa.

A expansão ocorre em paralelo à procura de pessoas físicas e empresas por alternativas de relacionamento financeiro, especialmente em regiões onde a cobertura bancária é menor ou mais concentrada.

R$ 1 trilhão marca avanço do setor

Para Fabiano Jantalia, sócio-fundador do Jantalia Advogados, especialista em Direito Bancário e ex-procurador do Banco Central, o volume de ativos indica que as cooperativas deixaram de ocupar uma posição restrita dentro do mercado.

“Ultrapassar R$ 1 trilhão em ativos é um marco que evidencia a maturidade das cooperativas de crédito e a confiança que os brasileiros passaram a depositar nesse modelo. Hoje, elas participam de forma efetiva da oferta de crédito e da inclusão financeira em diversas regiões do país”, afirma.

O crescimento patrimonial acompanha a ampliação da capilaridade. Em muitas cidades pequenas, cooperativas mantêm relacionamento direto com produtores rurais, pequenas empresas, profissionais autônomos e famílias que encontram menos opções entre instituições financeiras tradicionais.

Esse alcance regional se tornou uma das principais frentes de crescimento do segmento.

Modelo amplia concorrência no mercado financeiro

Além do crédito, as cooperativas passaram a disputar espaço em produtos de investimento, seguros, cartões e soluções de pagamento.

Como os associados participam da própria estrutura da instituição, o modelo econômico difere daquele adotado pelos bancos. As condições oferecidas variam entre cooperativas, mas o setor busca competir por meio de relacionamento próximo, presença local e produtos adaptados ao perfil de cada comunidade.

“Quanto maior a participação de diferentes agentes financeiros no mercado, maior tende a ser a competitividade. As cooperativas exercem um papel importante ao oferecer alternativas de relacionamento e financiamento que dialogam com as necessidades locais de seus associados”, diz Jantalia.

A expansão também aumenta a pressão competitiva sobre bancos e fintechs em mercados nos quais o cooperativismo já possui presença consolidada.

Regulação acompanha ganho de escala

O avanço das cooperativas vem acompanhado de mudanças regulatórias e do aperfeiçoamento dos mecanismos de supervisão.

Com o setor administrando mais recursos e ampliando sua participação no sistema financeiro, temas como governança, gestão de riscos e controles internos ganham peso na agenda das instituições.

Para Jantalia, o principal desafio será crescer sem descaracterizar o modelo.

“O desafio é preservar os princípios cooperativistas que diferenciam essas instituições, ao mesmo tempo em que elas ganham escala e relevância econômica. O crescimento observado hoje demonstra que o modelo tem espaço para continuar se expandindo no sistema financeiro brasileiro”, afirma.

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