A Copa do Mundo de Futebol Masculino deve movimentar R$ 4,32 bilhões no comércio varejista brasileiro, segundo estimativas divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Caso a previsão venha a se confirmar, o volume financeiro representará um aumento real de 6,5% no faturamento quando comparado ao desempenho registrado na edição anterior do torneio, realizada no Catar em 2022. O resultado sinaliza o peso do maior evento do futebol mundial como um importante catalisador de consumo sazonal para a economia do país.
De acordo com a nota técnica emitida pela CNC, o avanço projetado nas vendas totais encontra sustentação em bases macroeconômicas mais firmes, sendo impulsionado principalmente pelo maior dinamismo do mercado de trabalho e pelo ambiente de inflação controlada.
Esses fatores positivos atuam como um colchão amortecedor, compensando o encarecimento do crédito no mercado doméstico. Essa restrição nas condições de financiamento acabou por travar a tradicional e agressiva corrida dos consumidores em busca de novos aparelhos de televisão antes do início das partidas.
Diante de taxas de juros e linhas de crédito mais caras nas instituições financeiras, a tendência mapeada pela entidade indica que as vendas entre os diferentes segmentos do varejo vão reagir de forma bastante heterogênea.
O foco do orçamento das famílias brasileiras para o torneio deve se concentrar fortemente no consumo imediato, privilegiando as categorias de alimentos, bebidas e artigos temáticos de menor valor unitário, que demandam menos parcelamento e não comprometem a renda no longo prazo.
Dentro da divisão do bolo de faturamento previsto de R$ 4,32 bilhões, os segmentos de hipermercados e supermercados despontam como os grandes beneficiados, devendo concentrar quase 70% das vendas totais, o equivalente a R$ 3,97 bilhões. Na sequência, aparecem o setor de vestuário e acessórios, impulsionado pela busca por camisas oficiais e adereços, com faturamento estimado em R$ 803,7 milhões, seguido por artigos de uso pessoal e doméstico, com R$ 262,6 milhões. Os segmentos de informática e comunicação, com R$ 198,5 milhões, e de móveis e eletrodomésticos, com R$ 80,2 milhões, completam a projeção para o evento, que terá como sedes os Estados Unidos, o Canadá e o México a partir de 11 de junho.
A retração no interesse por bens duráveis de maior valor fica evidente ao analisar o comportamento do comércio eletrônico. A procura por Smart TVs em lojas virtuais registrou um crescimento de 8,4% no mês de maio em comparação com o mês imediatamente anterior, de acordo com um monitoramento realizado pela CNC com base em dados de buscas do Google Trends. Contudo, a entidade pondera que o volume de pesquisas pelo produto está 15,6% abaixo do verificado às vésperas do Mundial de 2022, posicionando-se também significativamente aquém dos patamares históricos observados nos anos de 2014 e 2018.
O relatório da confederação chama a atenção para um paradoxo de preços: o valor médio dos televisores nas lojas recuou 18,9% no intervalo entre o Mundial de 2022 e o deste ano, conforme os dados oficiais de inflação apurados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), do IBGE. Apesar dessa deflação expressiva no preço do produto físico, o barateamento isolado não tem se mostrado atraente o suficiente para destravar o consumo de eletroeletrônicos, evidenciando que o custo do parcelamento e do financiamento fala mais alto no momento da decisão de compra.









