A Databricks negocia uma nova rodada de investimentos de aproximadamente US$ 3 bilhões, que pode elevar sua avaliação de mercado para US$ 188 bilhões. A operação deve ser liderada pela gestora Coatue Management e contar com a participação de investidores novos e antigos da companhia.
O valor da captação ainda não foi confirmado oficialmente pela empresa. A estimativa foi divulgada pelo The Wall Street Journal, com base em fontes próximas à negociação.
Os recursos devem ser destinados à expansão da estratégia de inteligência artificial da Databricks, ao desenvolvimento de produtos e a possíveis aquisições no setor. A companhia busca atender empresas que utilizam diferentes modelos de IA e precisam controlar custos, dados e aplicações em uma única infraestrutura.
A nova negociação acontece menos de um ano depois de outra captação bilionária e reforça o ritmo de valorização da empresa. Em dezembro de 2025, a Databricks levantou cerca de US$ 5 bilhões e foi avaliada em US$ 134 bilhões.
Com a nova rodada, o valuation pode avançar aproximadamente 40%.
Databricks amplia portfólio de inteligência artificial
A estratégia da companhia está apoiada em três produtos voltados ao uso corporativo de IA.
O Unity AI Gateway funciona como uma camada de governança para administrar o uso de diferentes modelos, acompanhar despesas e aplicar regras de segurança. O Genie é um assistente que transforma dados empresariais em respostas e ações. Já o Lakebase é um banco de dados Postgres sem servidor desenvolvido para aplicações e agentes de inteligência artificial.
Segundo o fundador e CEO da Databricks, Ali Ghodsi, as empresas estão deixando de priorizar apenas a quantidade de processamento utilizada pelos modelos para avaliar com mais atenção o retorno obtido com cada aplicação.
“As empresas estão migrando da maximização de tokens para a maximização de valor. Elas não querem gastar tokens caros com o modelo mais avançado em todas as tarefas e querem obter o melhor resultado por dólar investido”, afirma.
Para o executivo, essa mudança exige que as organizações tenham liberdade para selecionar diferentes modelos conforme a finalidade, o custo e a complexidade de cada atividade.
A companhia também tenta resolver o que Ghodsi chama de “lacuna de contexto”. O conceito descreve a dificuldade das empresas em utilizar inteligência artificial quando as informações estão distribuídas em sistemas desconectados, sem governança ou integração com as aplicações corporativas.
A proposta da Databricks é reunir dados, ferramentas de análise e modelos de IA em uma mesma plataforma, facilitando o desenvolvimento de agentes e outras soluções empresariais.
Empresa supera 20 mil clientes
A Databricks atende mais de 20 mil organizações em diferentes países. A base inclui empresas como Adidas, Bayer e Mastercard, além de aproximadamente 70% das companhias presentes na lista Fortune 500.
No Brasil, a plataforma é utilizada por empresas como Bradesco, iFood e Nubank. A companhia também tem ampliado sua estrutura comercial e os investimentos destinados ao mercado brasileiro.
A Databricks opera atualmente com uma receita anualizada de US$ 5,4 bilhões, crescimento superior a 50% na comparação anual, e informa ter fluxo de caixa positivo.
Os resultados e o avanço da avaliação de mercado colocaram a empresa entre as principais candidatas a uma abertura de capital. Apesar disso, Ghodsi afirmou que a companhia não tem pressa para realizar uma oferta pública inicial de ações.
Em entrevista concedida à Bloomberg em junho, o executivo avaliou que o ambiente de 2026 ainda não seria favorável para o IPO. Entre os motivos, citou a possibilidade de grandes ofertas envolvendo empresas como SpaceX, Anthropic e OpenAI, que poderiam concentrar a atenção e os recursos dos investidores.
