O Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 1,765 bilhão em abril, valor significativamente acima da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam um déficit de apenas US$ 200 milhões no período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.
Com o resultado, o déficit acumulado em 12 meses chegou a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB) — indicador que mede o desequilíbrio entre o que o país paga e recebe do exterior em transações comerciais, de serviços e de renda.
Na contramão do resultado negativo nas transações correntes, os investimentos diretos no país (IDP) superaram amplamente as projeções. Em abril, o fluxo de capital estrangeiro destinado a investimentos produtivos no Brasil somou US$ 8,912 bilhões, ante uma expectativa de US$ 5,4 bilhões levantada na pesquisa da Reuters com especialistas.
O volume robusto de investimentos diretos é visto como um fator positivo para o financiamento do déficit em conta corrente, já que representa capital de longo prazo entrando no país — diferentemente de fluxos mais voláteis, como investimentos em portfólio. Quando os investimentos diretos superam o déficit em transações correntes, o país reduz sua dependência de financiamento externo de curto prazo.
O resultado de abril reacende o debate sobre a trajetória das contas externas brasileiras em um cenário de dólar valorizado, juros elevados e incertezas no comércio global.
Analistas acompanharão os próximos meses para avaliar se o déficit mais elevado é um movimento pontual ou sinaliza deterioração mais persistente no balanço de pagamentos do país.








