O déficit primário do Governo Central alcançou R$ 53,257 bilhões em maio, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado, que considera as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado e superou o déficit de R$ 40,249 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O desempenho foi influenciado pelo crescimento das despesas acima do avanço das receitas. Em maio, a receita líquida somou R$ 197,977 bilhões, alta real de 5,5% na comparação anual, enquanto as despesas chegaram a R$ 251,233 bilhões, crescimento real de 9,4%.
Gastos cresceram acima da arrecadação
Entre os principais fatores que pressionaram o resultado estão o aumento das despesas com benefícios previdenciários, investimentos e custeio da máquina pública. Ao mesmo tempo, houve redução na arrecadação com dividendos pagos por empresas estatais, o que contribuiu para ampliar o déficit do período.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 44,4 bilhões. No mesmo intervalo do ano passado, havia sido registrado superávit de R$ 32,9 bilhões. O resultado representa o pior desempenho para o período desde 2020, quando as contas públicas foram fortemente impactadas pela pandemia.
Meta fiscal segue mantida
Apesar do resultado negativo em maio, o Tesouro Nacional informou que o cenário permanece compatível com a meta fiscal estabelecida para 2026. A regra prevê um superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância que permite um resultado próximo do equilíbrio fiscal.
Economistas acompanham a evolução das contas públicas porque o desempenho fiscal influencia diretamente a percepção de risco do país, o comportamento dos juros e a trajetória da dívida pública. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o aumento das despesas com juros também continua pressionando os indicadores fiscais brasileiros.
