Dívida bruta do governo alcança 81,1% do PIB e supera expectativas

A dívida bruta do Brasil registrou uma aceleração mais intensa do que a projetada pelo mercado financeiro no mês de maio, acompanhada por um resultado fiscal do setor público consolidado que também veio pior do que as expectativas. Os dados estatísticos foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central, evidenciando o quadro de persistente pressão sobre as contas públicas e o endividamento soberano do país.

A dívida pública bruta do país — indicador que mede a saúde financeira do Estado perante investidores e agências de classificação de risco — encerrou o mês de maio atingindo a marca de 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O avanço representa uma alta de quase um ponto percentual em relação aos 80,2% consolidados no mês anterior, superando a mediana das estimativas coletadas em pesquisa da agência Reuters, que apontava para uma taxa de 80,7%. Por sua vez, a dívida líquida do setor público avançou de 67,2% para 67,9% do PIB, vindo ligeiramente abaixo do teto de 68,1% estimado pelos analistas.

Indicador de EndividamentoAbrilMaio (Dado Oficial)Projeção do Mercado (Reuters)Situação frente à Projeção
Dívida Bruta80,2%81,1%80,7%Pior (Subiu mais que o esperado)
Dívida Líquida67,2%67,9%68,1%Melhor (Veio abaixo do teto previsto)

No front do resultado primário — que contabiliza a diferença entre as receitas e as despesas do governo, excluindo o pagamento dos juros da dívida —, o setor público consolidado amargou um déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio. O saldo negativo superou o rombo de R$ 53,5 bilhões que os economistas do mercado financeiro haviam projetado, frustrando as metas de consolidação fiscal para o período.

A abertura dos dados do Banco Central demonstra de forma clara que o principal vetor de desequilíbrio fiscal em maio concentrou-se no Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), responsável por um resultado negativo isolado de R$ 55,169 bilhões.

Esfera Governamental / EnteResultado FinanceiroImpacto no Balanço
Governo Central (União, Previdência e BC)– R$ 55,169 bilhõesDéficit
Governos Regionais (Estados e Municípios)– R$ 1,236 bilhãoDéficit
Empresas Estatais (Exceto grupos Petrobras e Eletrobras)+ R$ 273 milhõesSuperávit
Setor Público Consolidado (Total)– R$ 56,131 bilhõesDéficit Consolidado

Na esfera regional, os estados e municípios também operaram no vermelho, registrando um déficit de R$ 1,236 bilhão. O único alívio marginal na conta consolidada veio do balanço das empresas estatais, que conseguiram encerrar o mês com um superávit de R$ 273 milhões, montante insuficiente para mitigar o rombo das demais instâncias governamentais.

Sair da versão mobile