Quem já não se sentiu com vontade profunda de que o outro mudasse de comportamento?
Pode ter sido em relação A seu chefe, companheiro de trabalho ou seu par afetivo, mas o resultado é sempre igual: uma tremenda frustração e um sentimento de que não estamos sendo reconhecidos, que nossas queixas, às vezes silenciosas, não são percebidas, que no fundo o outro não se importa com seus sentimentos.
A adoção de premissas equivocadas leva à formulação de objetivos igualmente irrealistas e nada mais lógico que metas inalcançáveis levem à frustração.
Muitas vezes, o desejo de que o outro mude é fundada em motivos corretos e uma vontade sincera de lhes evitar danos e proporcionar uma vida melhor e não simplesmente pelo desejo de exercer controle ou criar alguém à sua imagem e semelhança.
Mudanças de atitudes decorrentes de ordem superior e/ou pressões externas, têm duração curta. Alteração de comportamento forçado implica num desgaste emocional que, depois de um tempo, é quase impossível manter a nova postura. Cedo ou tarde a pessoa reassume o seu “eu” original.
Mesmo em relações baseadas no princípio de “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, as mudanças só permanecem enquanto existir a relação de poder e subordinação e a custo de severa vigilância.
Mudanças duradouras não acontecem por imposição ou acusações e cobranças que só deflagram jogo um de ataque e defesa. Podemos dizer que é um processo dialético, que começa com a minha mudança, na expectativa de que ela promova mudança no outro e esse processo se retroalimenta.
Nessa hora você deve estar se perguntando: Por que eu tenho que dar o primeiro passo? Eu não comando a mudança do outro. O único processo de câmbio que posso controlar é o meu. Se eu quero que o outro altere seu comportamento, cabe a mim dar o primeiro passo.
Uma dica importante para iniciar a jornada da mudança é trocar você por “eu” nos seus diálogos. Ao invés de dizer, por exemplo, você não me entende, falar: Eu me sinto negligenciado(a) quando você não se esforça para me compreender. Essa simples troca muda o ritmo da conversa, saindo do círculo de ataque e defesa, colocando o outro numa posição em que se sinta responsável por seu bem estar. Assim como esse, você pode criar novos diálogos para outras situações.
Mas se você é daqueles(as) que diz que não consegue mudar, a boa notícia é que a ciência tem demosntrado que o nosso cérebro é maleável, que podemos estabelecer novas conexões neurais e aprender novas habilidades. A neuroplasticidade do cérebro nos permite que assumamos novos comportamentos e novos hábitos.
Está comprovado que dizer que “nasci assim e não tem jeito”, é uma desculpa de um cérebro preguiçoso. Sim, a função primordial do cérebro é garantir a vida e ele evitará qualquer novo esforço que signifique consumo adicional de energia, como o caso de mudança de hábito, preferindo buscar homeostase (estabilidade).
Uma face negativa da neuroplasticidade do cérebro é a “plasticidade negativa”. Exemplos desse caso são as dores crônicas, aquelas que persistem por tempos após a cura clínica. Nesse hipótese o cérebro se acostumou a sentir a dor, e mesmo na ausência de fator clínico, a pessoa continua sentindo a dor.
Mudanças de hábitos requerem foco e determinação e o cérebro não é nosso aliado. Em busca de economizar energia, ele criará estratagemas sutis para sabotar a iniciativa, e vamos ser sinceros, não precisamos de muito para permanecermos onde estamos.
Por isso, comece com pequenos objetivos factíveis, e após as primeiras vitórias o nosso cérebro também se acostumará com mudanças e novos desafios de forma gradual e mais natural.
Sim, é possível mudarmos o outro e esse processo começa com a nossa mudança.









