El Niño ameaça agravar crise dos produtores de arroz no Rio Grande do Sul

Uma fazenda de arroz com danos após enchente histórica no Rio Grande do Sul, em maio de 2024 (Divul,gação)

A aproximação do El Niño pode aprofundar a crise financeira enfrentada pelos produtores de arroz no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no Brasil. Após uma sequência de eventos climáticos extremos nos últimos anos, agricultores convivem com redução da produção, aumento dos custos e incertezas sobre a próxima safra.

Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional

Responsável por aproximadamente 70% da produção brasileira de arroz, o Rio Grande do Sul deve encerrar a atual colheita com uma produção estimada em 7,8 milhões de toneladas, volume 10,4% menor em relação ao ciclo anterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A redução ocorre após sucessivos episódios de seca, enchentes e excesso de chuvas, que comprometeram a produtividade das lavouras e elevaram os custos de produção.

Produtores enfrentam cenário financeiro desafiador

Além das perdas provocadas pelo clima, agricultores relatam dificuldades para equilibrar as contas diante da queda dos preços do arroz e do aumento das despesas com insumos, fertilizantes, combustíveis e financiamentos.

Segundo representantes do setor, muitos produtores reduziram os planos de plantio para a próxima safra, enquanto outros avaliam diminuir investimentos para preservar a saúde financeira das propriedades.

El Niño pode afetar próxima safra

A previsão de um novo episódio de El Niño aumenta o receio de novas alterações no regime de chuvas durante o ciclo 2026/2027.

O fenômeno costuma provocar excesso de precipitações na Região Sul, dificultando o plantio, o desenvolvimento das lavouras e a colheita, além de elevar o risco de perdas por alagamentos e doenças nas plantações.

Oferta pode ser impactada

Caso as condições climáticas adversas persistam, especialistas avaliam que a redução da oferta poderá influenciar os preços do arroz no mercado interno.

Ao mesmo tempo, a menor produção pode afetar a renda dos agricultores, que já enfrentam margens pressionadas pelos custos elevados e pela volatilidade do mercado agrícola.

Setor busca alternativas para reduzir riscos

Diante do cenário de maior instabilidade climática, produtores e entidades do agronegócio defendem investimentos em irrigação, seguro rural, infraestrutura e tecnologias de adaptação para reduzir os impactos de eventos extremos.

A expectativa é que políticas de apoio ao setor contribuam para aumentar a resiliência da produção de arroz em uma região considerada estratégica para o abastecimento nacional.

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