A Eli Lilly anunciou nesta terça-feira (26) acordos para adquirir três empresas desenvolvedoras de vacinas em negócios que somam cerca de US$ 3,8 bilhões. As aquisições refletem uma aposta crescente da farmacêutica americana na prevenção de doenças que podem surgir anos após infecções comuns, incluindo problemas neurológicos, câncer e infertilidade — campo que ganha relevância científica à medida que as evidências sobre os efeitos tardios de vírus se acumulam. As ações da Eli Lilly subiam 1,3% na Bolsa de Nova York por volta das 14h37 (horário de Brasília).
A primeira aquisição é a Curevo, cujo principal produto candidato é a amezosvateína, uma vacina para prevenção do herpes-zóster em adultos. Segundo a Eli Lilly, embora o tratamento atual para a doença seja eficaz, os desafios de tolerabilidade limitam as taxas globais de vacinação e contribuem para a hesitação em relação à segunda dose, deixando parte significativa dos pacientes com proteção reduzida ou nenhuma proteção. Os acionistas da Curevo poderão receber até US$ 1,5 bilhão em dinheiro, incluindo um pagamento inicial e valores adicionais condicionados ao cumprimento de metas específicas.
A segunda empresa adquirida é a LimmaTech Biologics, cujo programa principal, o LTB-SA7, está na Fase 1 de desenvolvimento como vacina contra o Staphylococcus aureus — a principal causa de infecção em centros cirúrgicos e um dos maiores desafios da medicina hospitalar global. A operação envolverá até US$ 780 milhões em dinheiro, com pagamentos iniciais e adicionais atrelados ao atingimento de metas clínicas e regulatórias.
A terceira aquisição é a Vaccine Company, comprada por até US$ 1,55 bilhão. A empresa desenvolve tecnologias proprietárias de nanopartículas in vivo projetadas para otimizar a apresentação de antígenos ao sistema imunológico, induzindo respostas imunes duradouras associadas a vacinas de partículas semelhantes a vírus. O programa principal aplica essa tecnologia ao vírus Epstein-Barr (EBV), patógeno ligado à mononucleose infecciosa e associado a consequências de longo prazo de grande interesse médico.
O potencial de uma vacina contra o EBV é especialmente relevante diante do crescente corpo de evidências científicas que conectam o vírus a doenças graves. “Diante das crescentes evidências que ligam o EBV à esclerose múltipla e a diversas neoplasias malignas, uma vacina profilática poderia prevenir não apenas a mononucleose infecciosa aguda, mas também as consequências neurológicas e oncológicas de longo prazo que podem surgir após a infecção”, afirmou a Eli Lilly em comunicado.
O movimento consolida uma virada estratégica da Eli Lilly em direção à área de vacinas, campo historicamente dominado por empresas como Pfizer, Moderna e GSK. Ao apostar em vacinas que atuam na prevenção de doenças crônicas e neurológicas associadas a infecções virais, a farmacêutica busca se posicionar em um segmento de alto potencial de crescimento — e que deve ganhar ainda mais relevância à medida que a ciência avança na compreensão dos efeitos tardios de patógenos comuns sobre a saúde humana.









