A fabricante de brinquedos Estrela (ESTR3; ESTR4) protocolou nesta quarta-feira (20) pedido de recuperação judicial na Comarca de Três Pontas (MG), incluindo outras empresas do grupo no requerimento. A informação foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo a companhia, a decisão decorre da necessidade de reestruturar o passivo do grupo em um contexto de pressões econômicas e setoriais acumuladas ao longo dos últimos anos.
Entre os fatores citados estão o aumento do custo de capital, a restrição de crédito e mudanças no comportamento de consumo, com destaque para a crescente concorrência de alternativas digitais de entretenimento — que têm reduzido a demanda por brinquedos físicos entre as novas gerações.
A Estrela afirmou que o processo de recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da crise econômico-financeira por meio da reorganização do endividamento, preservando a continuidade das operações, os empregos e a geração de valor para seus stakeholders. A empresa ressaltou que as empresas recuperandas e seus sócios, acionistas, administradores e diretores permanecem à frente da condução dos negócios.
A companhia garantiu que mantém suas operações industriais, comerciais e administrativas em funcionamento, assim como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores. A mensagem busca evitar impactos na cadeia produtiva e na confiança de parceiros comerciais durante o período de reestruturação — fase considerada crítica para o sucesso do processo.
A Estrela informou que apresentará oportunamente o Plano de Recuperação Judicial, que precisará ser aprovado pelos credores. A empresa também se comprometeu a manter acionistas e o mercado informados sobre os desdobramentos relevantes ao longo do processo.
Fundada em 1937, a Estrela é uma das marcas mais icônicas da indústria de brinquedos brasileira, com produtos que marcaram gerações de crianças no país. O pedido de recuperação judicial representa um dos momentos mais delicados de sua história e evidencia os desafios estruturais enfrentados pelo setor de brinquedos físicos diante da transformação digital do entretenimento infantil e de um ambiente macroeconômico adverso.









