EUA reportam alta de US$ 1,8 bilhões nos custos de combustível de aviação em março

As principais companhias aéreas de passageiros dos Estados Unidos gastaram pouco mais de US$ 5 bilhões em combustível de aviação em março, alta de US$ 1,8 bilhão — ou 56% — em relação a fevereiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Transportes americano (USDOT). O salto nos custos representa a maior pressão sobre o setor aéreo desde a pandemia de Covid-19 e já começa a redesenhar rotas, tarifas e a viabilidade de algumas operadoras.

O preço do galão de combustível de aviação chegou a US$ 3,13 em março, avanço de 74 centavos — ou 31% — em relação a fevereiro. O consumo também cresceu 20% no período, reflexo da retomada sazonal de voos. Na comparação anual, o impacto é ainda mais expressivo: as companhias gastaram US$ 3,88 bilhões em combustível em março de 2025, contra os US$ 5,06 bilhões registrados no mesmo mês deste ano — uma diferença de mais de US$ 1,1 bilhão.

O principal fator por trás da disparada é o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica para o escoamento de petróleo do Oriente Médio. A instabilidade geopolítica abalou os mercados globais de energia e elevou os preços do querosene de aviação a patamares não vistos desde os anos mais agudos da pandemia.

Diante do choque de custos, as companhias aéreas americanas adotaram uma série de medidas para preservar margens. Entre as respostas mais comuns estão o aumento das tarifas aéreas, a elevação das taxas de bagagem, o corte de rotas menos rentáveis e outras iniciativas de redução de despesas operacionais. O combustível representa até um quarto dos custos totais das aéreas, tornando qualquer oscilação significativa de preço um risco existencial para operadoras mais frágeis.

A mais dramática das consequências foi o encerramento das operações da Spirit Airlines, companhia de baixo custo que interrompeu suas atividades no último sábado. A empresa afirmou ter arcado com US$ 100 milhões em custos adicionais de combustível apenas em março e abril, citando a alta repentina nos preços como o fator que inviabilizou seu plano de reestruturação. O caso da Spirit ilustra com clareza a vulnerabilidade das aéreas de menor porte, com menor capacidade de absorver choques de custo.

O setor como um todo tem pressionado o governo federal por apoio. No mês passado, companhias aéreas de baixo custo solicitaram ao USDOT um auxílio financeiro de US$ 2,5 bilhões para lidar com o aumento dos custos de combustível. O secretário de Transportes, Sean Duffy, recusou o pedido, afirmando não considerar o auxílio necessário no momento. A resposta gerou insatisfação entre as operadoras menores, que argumentam estar em desvantagem frente às grandes aéreas na absorção do choque.

Para as gigantes do setor, a mensagem é de resiliência — mas também de cautela. “Todas as companhias aéreas estão sofrendo com os altos preços do combustível. É sua responsabilidade construir seu negócio de forma que ele seja resiliente e possa sobreviver a essas situações, porque elas acontecem”, disse Bob Jordan, CEO da Southwest Airlines, em entrevista à Reuters na semana passada. A frase resume bem o dilema do setor: enquanto as grandes navegam com dificuldade, as menores enfrentam a ameaça real de não sobreviver à tempestade.

Sair da versão mobile