As férias escolares de julho representam um período estratégico para a logística do comércio eletrônico brasileiro. Segundo a Comissão de E-commerce do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), o mês funciona como um importante termômetro para testar a capacidade operacional das empresas.
“Embora o volume de vendas não alcance o registrado em datas como Black Friday e Natal, o período exige das transportadoras uma reorganização das operações para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor e preparar a cadeia logística para a alta temporada do varejo”, afirma Guilherme Juliani, diretor da Comissão de E-commerce do SETCESP.
Durante o recesso escolar, o principal movimento observado é a redistribuição geográfica das entregas. Parte do consumo migra para cidades do interior, regiões litorâneas e destinos turísticos, exigindo reposicionamento estratégico de frotas, reforço de parceiros locais e maior flexibilidade operacional. Nas grandes capitais, a redução do fluxo de veículos em razão do recesso escolar tende a favorecer os tempos de deslocamento das entregas. Em contrapartida, aumenta a concentração de encomendas em condomínios residenciais.
“Entre as categorias que costumam registrar maior demanda nesse período estão vestuário, especialmente peças de inverno, eletrônicos portáteis, games, brinquedos, artigos esportivos e produtos voltados para viagens”, conta o executivo.
Segundo semestre traz boas perspectivas para o TRC
A expectativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) e da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom) é que o e-commerce brasileiro mantenha ritmo de expansão em 2026, com faturamento estimado em cerca de R$ 258 bilhões, refletindo o avanço das compras online, o aumento da digitalização do consumo e a consolidação do comércio eletrônico em diferentes regiões do País.
Na avaliação da Comissão, o crescimento do comércio eletrônico deverá continuar sustentando a expansão do transporte de cargas voltado ao e-commerce até o fim do ano. No entanto, a competitividade dependerá cada vez menos da capacidade instalada e mais da eficiência operacional. “A logística do e-commerce está cada vez mais orientada por dados. Hoje, produtividade significa entregar mais rápido, com menor custo e maior previsibilidade. Isso exige planejamento antecipado, automação e integração entre transportadores, embarcadores e clientes“, destaca Juliani.
Criada para reunir transportadora e operadores logísticos especializados em comércio eletrônico, a Comissão de E-commerce do SETCESP atua na produção de estudos técnicos, indicadores de mercado, manuais de boas práticas e na interlocução com empresas e poder público para discutir temas como restrições de circulação urbana, segurança no transporte de cargas de maior valor agregado e modernização da logística nacional.









