O Grupo Abra, holding que controla a brasileira Gol e a colombiana Avianca, projeta finalizar a aquisição da companhia aérea chilena Sky Airline entre os meses de julho e agosto de 2026. A estimativa foi compartilhada nesta segunda-feira (8) pelo CEO da holding, Adrian Neuhauser, durante sua participação na Assembleia Geral Anual da Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos), realizada no Rio de Janeiro. Segundo o executivo, o movimento consolida a malha aeroviária que o grupo pretendia estruturar na América Latina, inaugurando uma fase focada na sinergia operacional entre as marcas.
O avanço regulatório da transação obteve um marco importante na semana passada, quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou formalmente a compra no mercado brasileiro. Neuhauser detalhou que o fechamento definitivo do negócio depende agora apenas do aval técnico das autoridades concorrenciais do Peru. Uma vez incorporada a Sky Airline, a estratégia central do Grupo Abra será direcionada para a ampliação da conectividade interna no continente e o fortalecimento de parcerias com operadoras globais de longa distância.
A consolidação regional da Abra ocorre após um período de reorganização societária e tentativas de fusões no mercado doméstico brasileiro. Em janeiro de 2025, o grupo controlador iniciou estudos e tratativas para uma possível combinação de negócios com a Azul. No entanto, o processo de aproximação foi integralmente interrompido em decorrência do pedido de recuperação judicial protocolado pela Azul. À época, ambas as companhias descartaram publicamente a reabertura de conversas para uma fusão de suas operações.
Durante os painéis do evento do setor aéreo, o CEO da holding também analisou o impacto do atual ciclo de valorização do combustível de aviação (QAV) sobre as finanças do grupo e o comportamento do consumidor. Neuhauser revelou que, até o momento, os balanços da Gol e da Avianca demonstram baixa sensibilidade da demanda em relação ao repasse do aumento de custos para o preço final das passagens aéreas.
“A passagem é, no fim das contas, uma pequena parcela do gasto total da viagem. Você a torna um pouco mais cara e há formas de compensar isso, como fazer uma refeição a menos em um restaurante ou ficar em um hotel mais barato”, ponderou Adrian Neuhauser.
Apesar da resiliência observada no curto prazo, a liderança do Grupo Abra alertou para as barreiras econômicas de longo prazo. O executivo ressaltou que uma inflação persistente e disseminada sobre o orçamento das famílias representa o maior risco estrutural para a aviação comercial, uma vez que a perda generalizada do poder de compra pode levar o consumidor a cancelar planos de viagem, um cenário de retração de mercado que não pode ser revertido apenas com políticas de desconto de preços.
