A HP reportou, em balanço publicado nesta terça-feira (24), uma revisão cautelosa de suas projeções financeiras para o ano fiscal, sinalizando que os resultados devem se situar no limite inferior das estimativas anteriores.
A fabricante de computadores e impressoras enfrenta uma pressão crescente nos custos de produção, impulsionada pela escalada nos preços dos chips de memória. Esse aumento é um reflexo direto da explosão da demanda por inteligência artificial em data centers, que tem drenado a oferta de componentes e encarecido os insumos para fabricantes de hardware de consumo.
Para mitigar o impacto nas margens de lucro, a companhia já traçou um plano de contingência que inclui o repasse de custos aos consumidores por meio do aumento no preço dos computadores.
Além disso, a HP pretende diversificar sua base para fornecedores de menor custo e reduzir as configurações de memória de fábrica em seus dispositivos. A expectativa anterior de lucro ajustado por ação para o ano fiscal, que variava entre US$ 2,90 e US$ 3,20, agora tende para o piso dessa meta, aproximando-se da projeção de US$ 2,99 feita por analistas da FactSet.
No desempenho do primeiro trimestre fiscal, os números apresentaram sinais mistos. Embora o lucro líquido tenha recuado ligeiramente para US$ 545 milhões (comparado aos US$ 565 milhões do ano anterior), a receita surpreendeu positivamente, registrando alta de 6,9% e atingindo US$ 14,44 bilhões — superando as expectativas do mercado, que giravam em torno de US$ 13,94 bilhões.
O lucro ajustado por ação no período foi de US$ 0,81, superando os US$ 0,77 previstos por analistas, o que demonstra uma resiliência operacional em meio ao cenário adverso de suprimentos.
Para o trimestre atual, a HP projeta um lucro ajustado entre US$ 0,70 e US$ 0,76 por ação, mantendo-se em linha com a média estimada pelo mercado de US$ 0,74.
O grande desafio da fabricante agora reside em equilibrar o crescimento de receita com a volatilidade do mercado de semicondutores, enquanto tenta manter a competitividade de seus produtos frente a uma base de custos estruturalmente mais elevada devido à “corrida da IA”.








