HR Path levanta quase US$ 1 bi e prepara nova ofensiva de aquisições no Brasil

A HR Path colocou o Brasil entre os mercados centrais de sua próxima fase de expansão. A consultoria francesa especializada em tecnologia e transformação de recursos humanos anunciou uma captação de quase US$ 1 bilhão liderada pela gestora global Ardian e pretende usar os novos recursos para acelerar aquisições, ampliar a presença internacional e quase dobrar de tamanho nos próximos três anos.

Fundado em Paris em 2001, o grupo fatura atualmente cerca de € 360 milhões por ano e estabeleceu a meta de chegar a € 700 milhões no período. O plano inclui avançar dos atuais 30 para 40 países e ampliar a equipe de 2,6 mil para aproximadamente 5 mil profissionais.

No Brasil, onde chegou em 2024, a expectativa é crescer 30% neste ano. A operação foi construída inicialmente a partir da compra da Intelligenza, consultoria especializada em soluções SAP para RH, e ganhou uma nova frente em 2026 com a aquisição da GDT Brasil, voltada a liderança, gestão da mudança e educação corporativa.

Ricardo Nóbrega, partner da HR Path no país, afirmou à Exame que o desempenho brasileiro ganhou relevância dentro do grupo e reforçou a decisão de direcionar mais investimentos à região. O executivo vê o mercado local de tecnologia para RH como um dos mais dinâmicos da América Latina.

Brasil vira plataforma para crescer na América Latina

A estratégia da HR Path combina expansão orgânica com compras de empresas. Ao longo de sua trajetória, o grupo realizou 57 aquisições, segundo Nóbrega. Somente nos últimos dois anos, a receita avançou cerca de 70%, impulsionada por esse modelo.

A operação brasileira reproduz essa lógica. A chegada da Intelligenza deu ao grupo uma base de implementação de sistemas de RH, enquanto a GDT Brasil ampliou a presença em consultoria e desenvolvimento organizacional.

Com isso, a HR Path passou a oferecer no país as três frentes que estruturam seu modelo global de negócios. A primeira é a consultoria estratégica e de gestão de mudanças. A segunda envolve implementação de sistemas, incluindo plataformas de grandes fornecedores de tecnologia. A terceira reúne serviços terceirizados, como processos de folha de pagamento.

Essa amplitude permite acompanhar um cliente em diferentes momentos. Uma empresa pode começar terceirizando uma operação, avançar para a troca de sistemas e depois contratar um projeto mais amplo de transformação dos processos de gestão de pessoas.

A ambição agora é usar a estrutura brasileira como ponto de apoio para crescer em outros mercados latino-americanos. A meta de expansão local, segundo o executivo, depende de novos negócios, treinamento de equipes e possíveis aquisições.

Compras seguem no centro da estratégia

A entrada da Ardian aumenta a capacidade financeira de um grupo que já construiu boa parte de sua escala por meio de fusões e aquisições.

O desafio será manter velocidade sem perder eficiência na integração. Cada empresa comprada chega com equipes, clientes, sistemas e culturas próprias. Para uma companhia que pretende quase dobrar o faturamento em três anos, transformar esse conjunto em uma operação coordenada será tão importante quanto continuar fechando negócios.

No Brasil, esse processo já está em andamento. A Intelligenza tinha cerca de 250 funcionários e uma base formada por grandes empresas quando foi adquirida. Dois anos depois, a compra da GDT Brasil acrescentou competências ligadas a liderança e transformação organizacional.

A HR Path atende mais de 3 mil clientes globalmente e estima que suas soluções alcancem organizações responsáveis por mais de 20 milhões de trabalhadores.

Entre os serviços que ganharam tração está o chamado employer of record, modelo no qual uma companhia terceirizada assume aspectos formais da contratação e do pagamento de profissionais em outro país.

A solução pode ser usada, por exemplo, por uma empresa brasileira que deseja contratar nos Estados Unidos sem abrir imediatamente uma estrutura própria. O caminho inverso também vale para grupos estrangeiros interessados em montar equipes no Brasil.

IA abre nova frente de receita no RH

Enquanto a digitalização de processos continua sustentando parte da demanda, a inteligência artificial começa a abrir uma nova agenda comercial para a HR Path.

O grupo identifica espaço principalmente em projetos de governança, treinamento e reorganização de processos. A preocupação é evitar que empresas adotem ferramentas de IA sem regras claras sobre dados, segurança, responsabilidade e mensuração de resultados.

Para a própria consultoria, o tema é sensível. Serviços de terceirização de folha de pagamento envolvem informações pessoais e salariais, o que exige controles rigorosos de segurança. A estrutura global de cibersegurança responde diretamente ao CEO e a empresa mantém certificações voltadas à proteção dos sistemas.

Foi durante a organização do uso interno da inteligência artificial que a HR Path enxergou uma oportunidade de ampliar o portfólio para clientes. A companhia passou a desenvolver iniciativas de capacitação e governança para empresas que tentam levar a tecnologia a diferentes áreas do negócio.

Outra aposta está na gestão de agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas e tomar determinadas decisões com maior autonomia. Para Nóbrega, a adoção dessas ferramentas deve exigir mudanças na forma como equipes e lideranças são organizadas.

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