O presidente-executivo do HSBC, Georges Elhedery, fez um alerta direto aos funcionários do banco sobre o avanço da inteligência artificial. Segundo ele, a tecnologia deve eliminar parte dos empregos atuais, mas também abrir espaço para novas funções nos próximos anos.
Durante um pronunciamento interno, o executivo pediu que os colaboradores não resistam à transformação provocada pela IA e afirmou que o objetivo é tornar os trabalhadores “versões mais produtivas de si mesmos”.
“Todos nós sabemos que a IA generativa destruirá certos empregos e criará novos empregos”, disse Elhedery.
Bancos começam a falar abertamente sobre cortes ligados à IA
A fala do CEO do HSBC marca uma mudança importante na postura dos grandes bancos globais. Até recentemente, instituições financeiras evitavam discutir publicamente o impacto da inteligência artificial sobre empregos.
Agora, o cenário começa a mudar. O Standard Chartered anunciou nesta semana cerca de 8 mil demissões até 2030, em um movimento diretamente ligado à substituição de funções por tecnologia.
O CEO da instituição, Bill Winters, afirmou que o banco pretende reduzir em 15% suas funções corporativas, principalmente em áreas administrativas e de back office.
IA acelera transformação no setor financeiro
A inteligência artificial vem sendo usada por bancos para automatizar análise de dados, processamento de documentos, atendimento ao cliente, compliance e operações internas.
Com isso, tarefas repetitivas e operacionais se tornaram os principais alvos da automação.
Segundo pesquisa do Morgan Stanley citada pela Reuters, empresas de bancos, tecnologia e serviços profissionais demitiram cerca de 5% de seus funcionários no último ano por causa do avanço da IA.
Funções mais vulneráveis estão fora das sedes globais
O relatório aponta que trabalhadores terceirizados em países como Índia e Polônia estão entre os mais afetados pelas mudanças.
Profissionais em início de carreira e funções administrativas também aparecem como grupos mais vulneráveis neste novo ciclo tecnológico.
Mesmo assim, executivos do setor afirmam que a IA também deve criar novas vagas ligadas à supervisão, desenvolvimento, integração e treinamento de sistemas inteligentes.
Resistência à IA preocupa executivos
O avanço acelerado da tecnologia também gerou preocupação entre líderes do mercado financeiro sobre resistência interna.
O fundo soberano da Noruega, que administra cerca de US$ 2,2 trilhões, afirmou recentemente que funcionários têm evitado adotar IA por medo de perder seus empregos.
Especialistas alertam que empresas precisam equilibrar eficiência e retenção de talentos.
“Devemos ser cautelosos para não demitir funcionários demais”, afirmou Fabian Braesemann, pesquisador do Oxford Internet Institute.
O HSBC emprega atualmente mais de 211 mil pessoas no mundo. Já o Standard Chartered possui cerca de 83 mil funcionários.









