As áreas de Recursos Humanos, Cultura Organizacional e Educação Corporativa aparecem hoje como as mais maduras no uso corporativo de inteligência artificial no Brasil, à frente até de departamentos de tecnologia e TI. É o que aponta um estudo nacional do Templo, empresa especializada em soluções de IA para negócios.
O resultado coloca o RH em uma posição diferente dentro das empresas. Em vez de apenas acompanhar a transformação digital, a área passa a ser vista como uma das principais responsáveis por levar a IA para a rotina dos times, treinar colaboradores e transformar experimentos individuais em ganhos reais de produtividade.
A pesquisa ouviu 382 profissionais de médias e grandes empresas brasileiras, de diferentes setores e níveis hierárquicos. O levantamento usou agentes de IA desenvolvidos pelo próprio Templo, que conduziram entrevistas conversacionais em linguagem natural, no lugar de formulários tradicionais.
RH encontrou aplicações práticas antes de outras áreas
O avanço do RH não está ligado, necessariamente, ao uso de ferramentas mais complexas. O diferencial está na velocidade com que a área conseguiu aplicar IA em tarefas do dia a dia.
Entre os casos mais comuns estão triagem de currículos, produção de conteúdos para treinamentos, apoio em processos de onboarding e estruturação de fluxos internos de aprendizagem.
Esse uso prático ajuda a explicar por que pessoas, cultura e educação corporativa aparecem à frente de áreas mais técnicas. O RH lidou primeiro com demandas repetitivas, comunicação interna e capacitação, justamente pontos em que a IA consegue gerar resultado rápido.
“A pesquisa deixa claro que o problema nas empresas não é a falta de ferramentas, mas sim o desafio de conectar o uso individual à estratégia do negócio. Como o RH já lidera o uso prático da inteligência artificial, ele serve de referência para as outras áreas seguirem o mesmo modelo e destravar a produtividade que o mercado tanto busca”, afirma Herman Blesser, CEO do Templo.
Maioria ainda usa IA de forma isolada
Apesar do avanço em algumas áreas, o estudo mostra que a adoção corporativa ainda está longe de ser madura. Cerca de 61% dos profissionais avaliados estão abaixo do nível intermediário de maturidade em IA. Apenas 9,9% chegaram a um estágio considerado avançado.
O ponto mais frágil é a integração da IA aos processos das empresas. Hoje, 84% dos respondentes usam principalmente plataformas de interface textual, como ChatGPT, Microsoft Copilot e Google Gemini.
Na prática, isso significa que boa parte do uso ainda está concentrada em tarefas individuais, manuais e pontuais, como escrever textos, resumir informações, organizar ideias ou apoiar pesquisas internas. O ganho existe, mas fica limitado quando não entra no fluxo real da operação.
Automação de processos é o maior gargalo
A dimensão de Automação de Workflows teve o pior desempenho no estudo, com 35 pontos. Ferramentas usadas para conectar processos contínuos, como Zapier e Power Automate, aparecem em apenas 2,9% das respostas.
Esse dado ajuda a separar duas fases da IA nas empresas. A primeira é a experimentação individual, quando colaboradores usam ferramentas abertas para ganhar tempo em tarefas específicas. A segunda é a integração estrutural, quando a IA passa a se conectar a sistemas, rotinas, dados e processos internos.
O estudo indica que muitas empresas brasileiras já passaram da curiosidade inicial, mas ainda não criaram uma base capaz de transformar a tecnologia em impacto sistêmico.









