O mercado financeiro voltou a revisar para cima suas estimativas de inflação e de juros de longo prazo, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, acumulando a nona alta consecutiva — patamar que segue acima do teto da meta oficial de 4,5% e reforça a preocupação dos analistas com a persistência inflacionária no país.
Pelo lado dos juros, a taxa Selic esperada para o fim de 2026 foi mantida em 13% ao ano pela terceira semana seguida. A novidade ficou por conta de 2027: a projeção para a Selic avançou de 11% para 11,25% ao ano, primeira elevação após um período de estabilidade. O movimento indica que os agentes do mercado passaram a apostar em um ciclo de afrouxamento monetário mais gradual, com juros elevados se estendendo por um horizonte mais longo do que se esperava.
A inflação medida pelo IGP-M também seguiu em trajetória ascendente. A estimativa para 2026 subiu de 5,50% para 5,60%, registrando a décima alta consecutiva. Para 2027, a projeção permaneceu em 4%, enquanto os anos seguintes mostraram leve recuo: 2028 foi de 3,83% para 3,82%, e 2029 ficou estável em 3,70% pela quarta semana.
Os preços administrados — como energia elétrica e combustíveis — também tiveram revisão para cima no horizonte de 2026, passando de 4,98% para 5,01%. Para os demais anos, as projeções se mantiveram estáveis: 3,80% em 2027, e 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029, categoria que acumula 24 e 43 semanas consecutivas sem alteração, respectivamente.
No câmbio, o cenário foi o único a apresentar alívio. A projeção para o dólar em 2026 recuou de R$ 5,25 para R$ 5,20 — movimento que analistas atribuem, em parte, ao diferencial de juros elevado no Brasil, que tende a atrair fluxo de capital estrangeiro. Para 2027, a estimativa seguiu em R$ 5,30, enquanto 2028 teve leve queda, de R$ 5,39 para R$ 5,35, na segunda redução consecutiva.
A atividade econômica não trouxe surpresas. A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,85% pela segunda semana seguida, e para 2027 avançou marginalmente, de 1,75% para 1,76%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2% há 113 e 60 semanas consecutivas, respectivamente — número que ilustra o consenso do mercado em torno de um crescimento modesto e pouco dinâmico para a economia brasileira.
O conjunto das projeções desta semana aponta para um cenário de maior cautela entre os analistas. Com a inflação acima da meta, juros revisados para cima em 2027 e crescimento econômico sem fôlego, o mercado sinaliza que o ambiente de aperto monetário deve durar mais do que o previsto — e que a convergência da inflação à meta seguirá sendo um desafio para a política econômica nos próximos anos.









