O Pix entrou no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O sistema de pagamentos do Banco Central aparece entre os pontos questionados em uma investigação aberta pelo governo americano contra práticas brasileiras consideradas desleais por Washington.
A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, envolve um pacote amplo de acusações. Além do Pix, entram na lista temas como tarifas preferenciais, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Essa tensão ocorre menos de um mês depois de uma reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca. Após o encontro, os dois governos haviam sinalizado a criação de um grupo de trabalho para buscar uma solução em até 30 dias para o impasse sobre tarifas e a investigação comercial.
Agora, segundo reportagem da BBC News Brasil publicada pelo g1, há expectativa de que a Casa Branca anuncie medidas que podem romper esse entendimento.
Por que os EUA colocaram o Pix na investigação
O governo americano afirma que o Brasil teria práticas desleais no mercado de serviços de pagamento eletrônico. O documento citado na investigação menciona o fato de o país promover um sistema de pagamento desenvolvido pelo governo, em referência ao Pix.
A acusação não detalha quais práticas seriam ilegais. Para especialistas ouvidos pela BBC, a inclusão do Pix na apuração tem relação com a defesa de empresas americanas de tecnologia e meios de pagamento, como Apple Pay, Google Pay, PayPal e WhatsApp Pay.
A leitura desses especialistas é que o Pix se tornou um sistema de alta adesão no Brasil e passou a competir com soluções privadas em um mercado relevante. Lançado em 2020, o sistema é gratuito para pessoas físicas na maior parte dos usos, funciona 24 horas por dia e se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país.
O argumento contrário à acusação americana é que o Pix não impede concorrência. Empresas privadas seguem autorizadas a operar no mercado brasileiro de pagamentos digitais.
Disputa também passa pelas big techs
A investigação dos Estados Unidos também mira decisões brasileiras sobre plataformas digitais. Um dos pontos citados é o julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a responsabilidade de redes sociais por conteúdos ilegais publicados por usuários.
O governo americano afirma que decisões brasileiras podem prejudicar companhias dos EUA que atuam em comércio digital e redes sociais. O tema se conecta a um debate mais amplo sobre a regulação das big techs em diferentes países.
A União Europeia já enfrentou críticas parecidas de Trump por adotar regras mais rígidas para plataformas digitais. No caso brasileiro, especialistas apontam que a investigação mistura pautas comerciais com uma agenda política mais ampla de proteção às empresas americanas de tecnologia.









