A B3 deve lançar ainda no primeiro semestre de 2026 uma stablecoin lastreada em reais. A nova criptomoeda será usada para permitir a liquidação de ativos tokenizados dentro da infraestrutura da bolsa brasileira.
Essa previsão foi confirmada por Humberto Costa, diretor de produtos de balcão e ativos digitais da B3, durante evento promovido pela companhia em São Paulo. Como o prazo citado é o primeiro semestre, o lançamento deve ocorrer até o fim de junho.
A iniciativa havia sido anunciada no fim de 2025 e coloca a bolsa brasileira em uma frente que ganha espaço no mercado financeiro: a integração entre ativos tradicionais, blockchain e moedas digitais privadas lastreadas em moedas oficiais.
Stablecoin da B3 será lastreada em reais
Stablecoins são criptomoedas criadas para manter paridade com outro ativo, geralmente uma moeda fiduciária, como dólar ou real. No caso da B3, a proposta é lançar um ativo digital vinculado à moeda brasileira.
A função principal será operacional. A stablecoin deve ser usada para liquidar transações envolvendo ativos tokenizados, criando uma espécie de ponte entre o mercado tradicional e a infraestrutura blockchain.
Hoje, já existem 13 stablecoins ligadas ao real, com circulação estimada em cerca de R$ 700 milhões. Com a entrada da B3, esse grupo deve passar para 14 ativos vinculados à moeda local.
Tokenização de ações também está no radar
Além da stablecoin, a B3 também prepara uma iniciativa de tokenização de ações para o segundo semestre de 2026. A tokenização é o processo de transformar ativos tradicionais, como ações, títulos ou cotas, em registros digitais negociáveis em blockchain.
A ideia é criar um mercado de ações tokenizadas voltado a investidores locais. Esse movimento acompanha uma tendência global de digitalização de ativos financeiros, com avanço de produtos que tentam unir a segurança de mercados regulados à agilidade de redes digitais.
No exterior, o volume de ativos tokenizados vem crescendo. Segundo os dados citados no material, foram negociados US$ 3,57 bilhões em papéis tokenizados em um único dia na semana anterior.
Anbima e CVM avançam em projetos ligados ao tema
O avanço da B3 ocorre em paralelo a outras iniciativas do mercado brasileiro. A Anbima autorizou recentemente um projeto-piloto com 20 consórcios selecionados, incluindo grandes bancos, voltado ao desenvolvimento de soluções ligadas à tokenização e stablecoins.
A CVM também prepara uma consulta pública sobre tokenização. A autarquia deve discutir regras para negociação de ativos tokenizados, estrutura pós-negociação e funcionamento dessas operações em blockchain.
Esse debate regulatório é importante porque a tokenização depende de segurança jurídica, regras claras de custódia, liquidação e proteção ao investidor. Sem esse ambiente, a adoção tende a ficar restrita a testes e projetos privados.
Por que a B3 quer uma stablecoin própria
A stablecoin da B3 pode resolver uma parte importante da infraestrutura de ativos digitais: a liquidação das operações. Em mercados tradicionais, a liquidação depende de sistemas centralizados, prazos definidos e integração com instituições financeiras.
No ambiente tokenizado, a liquidação pode acontecer de forma mais rápida e programável, desde que exista um ativo digital confiável para representar dinheiro dentro da operação.
Ao lançar uma stablecoin em reais, a B3 tenta criar essa camada de pagamento dentro de sua própria infraestrutura. Na prática, isso pode facilitar negociações de ativos digitais regulados e reduzir fricções entre o sistema financeiro tradicional e aplicações em blockchain.









