O Brasil está atrasado em automação industrial por causa dos juros elevados, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso. Para ele, o principal obstáculo não é falta de tecnologia, mas um ambiente de negócios desfavorável ao investimento.
Durante evento industrial na Alemanha, Velloso afirmou que a taxa de juros elevada reduz a disposição das empresas para modernizar plantas produtivas e adquirir máquinas. Além disso, citou fatores como custo Brasil, insegurança jurídica e instabilidade econômica.
Segundo o dirigente, produtividade depende diretamente do volume de máquinas instaladas e do grau de automação nas linhas de produção. Dessa forma, o atraso tecnológico compromete competitividade e crescimento industrial.
Ele ressaltou ainda que muitas empresas deixam de investir mesmo quando existe demanda potencial, porque o custo financeiro torna projetos menos viáveis no curto prazo.
Brasil fica atrás de potências em uso de robôs
Os dados apresentados pela Abimaq mostram ampla distância entre o Brasil e países industrializados no uso de robôs. Atualmente, o país possui cerca de 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores. A média mundial é de 169.
Na comparação internacional, Alemanha e Estados Unidos contam com aproximadamente 470 robôs por 10 mil trabalhadores. A China soma cerca de 430, enquanto a Coreia do Sul lidera com 1.050.
Ao mesmo tempo, especialistas do setor avaliam que ampliar automação não significa apenas substituir mão de obra. Em muitos casos, a tecnologia melhora qualidade, reduz desperdícios e aumenta escala produtiva.
Outro ponto citado por Velloso foi o debate sobre redução da jornada de trabalho. Segundo ele, mudanças sem ganho de produtividade podem elevar custos e reduzir competitividade industrial.
Por fim, a avaliação da Abimaq reforça que modernização depende de ambiente econômico previsível, crédito acessível e investimentos contínuos. Assim, juros menores tendem a ser peça central para acelerar a automação no Brasil.
