Justiça dos EUA concede aval preliminar a acordo de US$ 38 bilhões da Visa e Mastercard

Um juiz federal dos Estados Unidos concedeu nesta terça-feira (9) aprovação preliminar a um acordo revisado no valor de US$ 38 bilhões entre as redes de cartões Visa (V) e Mastercard (MA) e uma classe de comerciantes norte-americanos. A decisão atua como um marco em um litígio antitruste histórico que se arrasta desde 2005, no qual o varejo acusa as bandeiras e os grandes bancos emissores de conspirarem para fixar e cobrar taxas de intercâmbio (as chamadas “taxas de transação”) em patamares abusivos.

A canetada partiu do juiz distrital Brian Cogan, do Brooklyn, em Nova York. O desfecho ocorre quase dois anos após outra magistrada da mesma corte ter rejeitado uma proposta anterior de US$ 30 bilhões por considerá-la financeiramente insuficiente e ineficaz para corrigir as distorções de concorrência do setor de meios de pagamento.

As taxas de intercâmbio são cobradas dos lojistas a cada passagem de cartão de crédito no terminal para cobrir custos de processamento e financiar os programas de fidelidade das instituições financeiras. Segundo dados compilados pela Merchants Payments Coalition, o peso desse custo sobre o varejo norte-americano vem registrando uma escalada agressiva ao longo das últimas duas décadas:

O novo texto validado provisoriamente pela Justiça propõe uma série de remédios financeiros e operacionais válidos para o horizonte dos próximos anos:

De acordo com pareceres técnicos dos economistas Joseph Stiglitz (ganhador do Prêmio Nobel) e Keith Leffler (professor da Universidade de Washington), contratados pelas defesas dos demandantes, a implementação prática dessas mudanças possui o potencial de gerar uma economia direta de US$ 38 bilhões para as empresas até 2031, gerando um efeito multiplicador de bem-estar econômico de US$ 224 bilhões na sociedade civil, inclusive com repasse de deflação para os consumidores.

Apesar do sinal verde do juiz Brian Cogan, o consenso está longe de ser atingido no ambiente corporativo, evidenciando uma forte divisão entre grandes corporações e o setor financeiro:

Ala Opositora (Grandes Varejistas)Ala Defensora (Setor Financeiro e Emissores)
Walmart (WMT), National Retail Federation, Merchants Payments Coalition e National Association of Convenience Stores.Electronic Payments Coalition, Visa, Mastercard, Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase e Citibank.
Argumento: O acordo é um “presente” e uma ilusão jurídica. Redes mantêm conduta anticoncorrencial e lojistas continuam sob a regra de “honrar todos os emissores” (não podem vetar um banco específico).Argumento: O acordo confere flexibilidade comercial inédita aos lojistas e protege a estabilidade do ecossistema de crédito e recompensas (rewards).

A aprovação de ontem confere um caráter preliminar ao processo. Os próximos passos da disputa envolverão a abertura de prazos para contestações formais das associações de varejo, seguidas por audiências de mérito antes que o tribunal de Nova York profira a sentença de homologação definitiva do bilionário acordo.

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