Renato Valcarengh Nunes começou a carreira aos 17 anos como office boy da Aspersul, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Na época, recebia R$ 150 e passava os dias levando documentos, resolvendo pagamentos e circulando pelo centro da cidade para cumprir demandas da empresa.
Quase duas décadas depois, ele comanda a Koria, companhia que se apresenta como o maior ecossistema de pintura industrial do Brasil. A empresa nasceu da evolução do antigo Grupo ArpiAspersul e reúne as operações das marcas Aspersul, Arpi, Orange, Arply, Doxa e Tudo Para Pintar.
A mudança para Koria ocorreu em 2025, em um movimento de consolidação das frentes de atuação da companhia. Hoje, a empresa tem matriz em Caxias do Sul e filial em Araras, no interior de São Paulo. A Koria faturou mais de R$ 70 milhões em 2025 e projeta ultrapassar R$ 100 milhões em 2026.
Carreira foi construída na prática
A trajetória de Renato dentro da empresa avançou rápido. Depois de menos de um ano como office boy, ele passou a atuar no comercial, vendendo acessórios, filtros e apoiando orçamentos de equipamentos.
Aos 18 anos, começou a viajar com o chefe para aprender técnicas de venda. Aos 19, já acompanhava gerentes comerciais em visitas a clientes pelo Brasil.
Essa experiência no campo se tornou sua principal formação profissional. O executivo afirma que aprendeu com conversas de estrada, contato direto com clientes, cursos de curta duração, leituras e observação do mercado.
Com o tempo, Renato assumiu cargos de gestão comercial e passou por áreas como marketing, engenharia e recursos humanos. Mais tarde, chegou à diretoria e à liderança do negócio.
Koria amplia atuação no setor de pintura industrial
A Koria atende os mercados industrial, moveleiro e de repintura automotiva. O portfólio inclui projetos especiais, cabines de pintura, equipamentos de aplicação, filtros, acessórios, insumos e serviços ligados às diferentes etapas do processo de pintura.
A estratégia da empresa foi deixar de atuar apenas como fornecedora de equipamentos para se posicionar como uma plataforma completa para operações de pintura industrial.
Essa mudança ampliou o relacionamento com clientes e permitiu acompanhar mais etapas da operação das fábricas. Para a companhia, o modelo ajuda a atender um setor que historicamente funcionava de forma fragmentada.
Entre os clientes atendidos estão empresas como AGCO, Ambev, Bontempo, Breton, Chevrolet, Comil, Electrolux, Embraer, Fiat, Florense, Itaipu, Marcopolo, Randon, Scania, Toyota e Weg.
Empresa quer crescer quatro vezes até 2030
À frente da Koria, Renato divide a construção do negócio com o sócio Ezequiel Nieto. A meta é crescer quatro vezes até 2030 e ampliar a presença da empresa dentro e fora do Brasil.
O plano envolve expansão do portfólio, atendimento consultivo, projetos customizáveis e suporte técnico aos profissionais que atuam no segmento.
A companhia também aposta na oferta de soluções integradas para aumentar produtividade, qualidade, proteção, durabilidade e acabamento em processos de pintura industrial.
Summit mira profissionalização do setor
Além da expansão do negócio, Renato liderou a criação do Koria Summit, evento dedicado à pintura industrial no Brasil. Realizado em março, o encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais, executivos e empresas do setor para discutir tecnologia, gestão e inovação.
A ideia nasceu da experiência do próprio executivo em eventos de marketing e tecnologia. Durante anos, ele imaginou um encontro semelhante voltado à pintura industrial, mas o projeto só avançou quando a empresa ganhou escala.
“É a materialização de uma visão construída ao longo da própria carreira, de que a pintura industrial, muitas vezes tratada como um setor secundário dentro das fábricas, pode ser um diferencial de qualidade, sustentabilidade e valor para a indústria”, afirma Renato.
