A Labotrat entrou em uma nova fase de crescimento. Depois de sair de uma operação regional no Ceará para alcançar mais de 100 mil pontos de venda no Brasil, a fabricante de cosméticos agora aposta no digital para tentar chegar a R$ 1 bilhão em faturamento até 2030.
A empresa já ultrapassou a marca de R$ 200 milhões em receita e prepara uma expansão baseada em e-commerce próprio, marketplaces, afiliados, live commerce, estratégia omnichannel e presença internacional.
Essa mudança marca uma virada na trajetória da companhia. A primeira etapa foi construir distribuição nacional no varejo físico. Agora, o desafio é ampliar alcance digital sem perder a força conquistada em farmácias, perfumarias e lojas espalhadas pelo país.
Do Ceará para 100 mil pontos de venda
A Labotrat nasceu como uma marca de cosméticos com presença mais concentrada no mercado cearense. A virada começou em 2019, quando André Rios, marido da fundadora Raquel Carvalho e atual diretor comercial e de marketing da empresa, passou a estudar o potencial de expansão da marca.
O que chamou atenção foi a relação dos consumidores locais com os produtos.
“O que a gente viu lá em 2019 foi que a gente tinha uma marca super querida pelo mercado local. As pessoas enxergavam muita qualidade nesse produto e tinham um carinho pela marca, um amor espontâneo”, afirmou Rios em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney.
A partir daí, a empresa iniciou um processo de profissionalização comercial, rebranding e expansão de distribuição. O objetivo era transformar o reconhecimento regional em presença nacional.
“Pegamos um produto que já tinha muita qualidade e reconhecimento pelo público e aí veio toda a estratégia de rebrand, de aumentar o time comercial e levar aquilo para o Brasil”, disse.
O plano acelerou o crescimento. Hoje, a Labotrat afirma estar presente em mais de 100 mil pontos de venda e alcançar cerca de 80% das farmácias brasileiras.
Receita saltou de R$ 1 milhão para mais de R$ 200 milhões
A expansão no varejo físico mudou o tamanho da companhia em poucos anos. Segundo Raquel Carvalho, a nova fase industrial e comercial permitiu um salto expressivo de faturamento.
“Para ter uma ideia, nesse novo momento da Labotrat, nova fábrica, saímos de um faturamento anual de R$ 1 milhão para acima de R$ 200 milhões”, afirmou a fundadora.
André Rios detalhou que a empresa atingiu R$ 100 milhões em vendas em 2023 e superou os R$ 200 milhões em 2024. Em 2025, a receita ficou entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões, segundo o executivo.
Esse crescimento ajuda a explicar a ambição da marca. A Labotrat quer multiplicar sua operação nos próximos anos e entrar em um patamar ainda pouco comum para empresas brasileiras independentes de cosméticos.
“E agora o sonho é bem mais alto, é mirar lá realmente R$ 1 bilhão para os próximos cinco anos”, afirmou André.
E-commerce vira motor da próxima fase
O canal físico continua relevante, mas a Labotrat agora trata o digital como a principal alavanca para ampliar alcance e recorrência de compra. A empresa lançou oficialmente seu e-commerce próprio em maio de 2026 e já prepara uma estrutura mais ampla para vendas online.
A estratégia inclui marketplaces, afiliados, live commerce e integração entre canais. A ideia é chegar a consumidores que ainda não encontram os produtos nas lojas físicas ou que preferem comprar diretamente pela internet.
“Hoje no cosmético a empresa primeiro vai para o digital para validar, depois vai para o físico. A gente preferiu fazer o contrário. Vamos para o físico, que é o mais difícil e mais demorado”, afirmou Rios.
Raquel também vê o digital como uma forma de ampliar a presença da marca em regiões onde a distribuição física ainda não chega com a mesma força.
“O digital a gente está há um ano trabalhando com a equipe internalizada e outras terceiristas que fazem esse movimento para poder entregar onde o físico não vai”, disse a fundadora.
Omnichannel pode ampliar recorrência
A aposta no e-commerce não substitui o varejo físico. O plano da Labotrat é combinar presença em lojas, distribuição nacional e venda direta online.
Esse movimento pode ampliar o relacionamento com o consumidor, especialmente em categorias de beleza e cuidados pessoais, nas quais experimentação, recompra e influência digital têm peso relevante.
Para a marca, o desafio será transformar o reconhecimento construído no ponto de venda em relacionamento recorrente no ambiente digital. Isso envolve tráfego, conteúdo, logística, atendimento e uma operação capaz de competir com marcas nativas digitais e grandes grupos de beleza.
A vantagem da Labotrat está na base já construída. Ao entrar no digital depois de alcançar escala física, a empresa chega com distribuição nacional, reconhecimento de marca e histórico de venda em farmácias.
Internacionalização também entra no plano
Além do digital, a Labotrat aposta na expansão para fora do Brasil. A empresa já opera em países da América Latina e iniciou sua entrada na Europa, com foco inicial em Portugal e Espanha.
A internacionalização pode ajudar a sustentar a meta bilionária, mas também traz novos desafios. Cosméticos dependem de adequação regulatória, adaptação de portfólio, posicionamento de marca e entendimento dos canais de venda locais.
Mesmo assim, a empresa vê espaço para levar produtos brasileiros a novos mercados, especialmente em segmentos nos quais o país já tem reconhecimento, como beleza, autocuidado e cosméticos de apelo popular.
